domingo, 16 de janeiro de 2011

EPIFANIA, TEMPO DE TESTEMUNHAR O EVANGELHO


Quando, em 490 AC, na grande batalha de Maratona, os gregos venceram os persas, o general Milcíades enviou um mensageiro para Atenas, o qual, antes de cair exausto no chão, exclamou: “Cidadãos de Atenas: Evangelho! Os persas estão derrotados, a Grécia venceu!” E o povo, em delírio, festejou a vitória.
Entre os gregos usava-se a palavra “evangelho” para anunciar ao povo uma vitória esportiva ou militar. Quando, em Corinto, se realizavam as grandes competições esportivas, o juiz anunciava: “Evangelho, Ataferxes ganhou a corrida!”, e o povo vibrava em alegrias.
Evangelho é a boa nova de grande alegria. Deus enviou o Príncipe da Paz ao mundo para triunfar sobre o pecado, a morte e Satanás. Cristo é o vitorioso. É o Salvador. Nós somos salvos. Esta é a boa nova, o Evangelho que produz alegria. Alegria que expulsa das profundezas do coração o temor, o medo, a angústia e a tristeza.
Todos podem e devem exultar porque o Evangelho, que traz graça, amor, perdão, vida e salvação, está sendo anunciado. Porque o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.
Estamos iniciando o período da Epifania. Epifania é o período que fica entre Natal e Quaresma. No original grego epifania significa revelação, aparecimento ou manifestação; pois foi nesta ocasião que o Salvador Jesus foi anunciado pela primeira vez aos gentios, na pessoa dos magos do Oriente.
Deus não enviou Jesus ao mundo para salvar apenas algumas pessoas. O nascimento de Jesus foi para todo mundo. Por isso, tão logo Jesus nasceu, Deus tomou providências para que este acontecimento chegasse aos ouvidos de todos.
As primeiras pessoas que foram avisadas do nascimento de Jesus foram os pastores de Belém. Pastores eram pessoas simples, que passavam o dia e a noite cuidando das ovelhas.
E eis que numa noite estrelada, enquanto estavam no campo cuidando das ovelhas, recebem a visita de um anjo. Eles ficam muito assustados. Mas o anjo lhes diz: “Não temais: eis aqui vos trago boas novas de grande alegria, que será para todo povo. É que hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo o Senhor” (Lucas 2.10,11).
Os pastores fizeram conforme o anjo lhes disse. Eles foram até Belém, encontraram o menino, envolto em faixas e deitado numa manjedoura. Depois voltaram para casa anunciando a todos o que tinham visto e ouvido.
Depois foi a vez dos magos ouvirem falar de Jesus. Magos eram pessoas da classe alta, que tinham grandes conhecimentos, tanto do mundo secular como espiritual.
Esses magos ficaram sabendo do nascimento de Jesus através de uma estrela. Uma noite, quando eles estavam observando o céu, viram uma estrela com uma cauda comprida se movimentando. Como eles eram curiosos e conheciam alguma coisa sobre os astros e da vinda do Messias, resolveram acompanhar a estrela.
Depois de muitos dias, de uma longa e difícil caminhada, eles chegam em Belém. Lá a estrela pára em cima de uma casa. Eles entram na casa e encontram Maria e José com o menino Jesus. Eles o adoram, lhe oferecem presentes e depois voltam para casa cheios de alegria, na certeza de haverem encontrado o Messias prometido.
Mais tarde o próprio Jesus se encarrega de anunciar a sua chegada ao mundo. Jesus, depois de percorrer vilas e cidades, vales e montes, prepara doze pessoas, que são os apóstolos, para irem por todo mundo pregar o Evangelho, a fim de que todos ficassem sabendo da sua vinda ao mundo.
E os apóstolos não mediram esforços. Conforme a ordem de Jesus, eles foram por toda parte anunciando a chegada do Salvador. O seu trabalho foi tão intenso que já no ano 300 todo o Império Romano foi evangelizado, a ponto do próprio imperador Constantino o Grande se converter a Cristo (312).
Houve, no entanto, uma época em que os homens pouco ou nada sabiam de Jesus. Foi na Idade Média, o período que antecedeu a Reforma. É que a igreja se desviou da verdade e, em lugar de anunciar a Cristo, pregava outras coisas, como a salvação através das obras. A adoração aos santos e imagens tomou o lugar de Jesus.
Porém Deus, que não abandona a sua igreja, mas faz questão que todos ouçam falar de Jesus, preparou Lutero. Este, como o mensageiro de Deus, fez com que o Evangelho fosse novamente anunciado em toda a sua pureza e que Jesus fosse proclamado como o único e suficiente Salvador da humanidade.
Hoje Deus dispõe de muitos meios para pregar o Evangelho, a fim de anunciar o Messias que já veio. Hoje as pessoas podem ouvir falar de Jesus na igreja, pelo rádio, pela televisão e nos mais diversos outros meios de comunicação. Em toda parte do mundo, de uma ou de outra forma, está sendo anunciado o Evangelho de Cristo.
E como essa boa nova, o Evangelho de Jesus Cristo, veio até nós? Será que aqui sempre existiu uma igreja cristã? Será que quando o Brasil foi descoberto, a Igreja Luterana já existia por aqui?
Não. O Evangelho da salvação veio para o Brasil através da Igreja Luterana no ano de 1904, 400 anos depois do seu descobrimento.
Os irmãos americanos, cheios de zelo e fervor missionário, sabendo que aqui no Brasil havia muita gente que não conhecia a Jesus, resolveram enviar alguns missionários para cá.
Esses missionários, que não sabiam falar o português, procuraram primeiro as pessoas que conheciam a sua língua, o alemão. Por isso a Igreja Luterana até bem pouco tempo atrás era uma igreja de alemães, pois era a língua que os pastores melhor conheciam.
Hoje, com um seminário funcionando dentro de uma universidade (Seminário Concórdia/Ulbra), com professores que conhecem bem a língua portuguesa, a nossa igreja já está em toda parte, do Norte ao Sul. Hoje todas as capitais do Brasil têm pastores da nossa igreja, anunciando a Jesus como o Salvador de todos os homens.
Isso quer dizer que Epifania também se tornou realidade aqui no Brasil, pois também aqui no Brasil Jesus está sendo anunciado para todo mundo.
Mas, por que Deus faz tanta questão que todos conheçam a Jesus? Por que tanto esforço e sacrifício na divulgação do evangelho? Por que tanta preocupação com a pregação da palavra de Deus?
A resposta nós a encontramos em Romanos, capítulo 10, versículos 13, 14 e 17: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? Pois a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”.
De acordo com a Bíblia, só há uma maneira de uma pessoa ser salva: crer em Jesus. Diz ela: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 15.16).
Assim como há uma só maneira de uma pessoa ser salva, também só há uma maneira da pessoa chegar à fé, que é através da palavra de Deus. “A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”, diz a Escritura.
Isso é muito fácil de entender: se é preciso crer em Jesus para ser salvo, então também é preciso conhecer esse Jesus, pois como pode uma pessoa crer em alguém que nunca ouviu falar dele?
Vamos usar como exemplo um índio lá no mato. Como é que esse índio pode crer em Jesus se nunca ouviu falar nele? E o que acontece então? Como ele não conhece a Jesus, ele não pode crer nele. E, como não pode crer nele, ele está perdido, pois “quem não crer será condenado, diz a Bíblia.
Isso preocupa a igreja. Isso entristece a Deus. Por isso Deus faz tanta questão que se anuncie o Evangelho em toda parte. Por isso a igreja investe tanto dinheiro na pregação do Evangelho, a fim de que todos conheçam a Jesus e sejam salvos.
Você está entendendo isso? Você está compreendendo agora o esforço da igreja?
Se você está compreendendo, o que você irá fazer da sua parte para que o Evangelho chegue a todo mundo? Vai dar mais testemunho de sua fé? Vai contribuir mais para a obra da missão?
Lembre-se: a responsabilidade é de nós todos. Cada um de nós deve assumir a sua parte, pois é de nós que depende a salvação do próximo.
Vamos nós, nesta época de Epifania, bem como em todos os dias da nossa vida, falar de Cristo aos outros, dar testemunho de nossa fé e ajudar a igreja na obra da missão, a fim de que mais e mais pessoas possam conhecer a Jesus. E conhecendo a Jesus, possam crer. E crendo, sejam salvos.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil


sábado, 1 de janeiro de 2011

O CRISTÃO NO ANO NOVO


Existe uma lenda que conta a história de um gigante que era capaz de carregar o mundo nas costas. O nome dele é Atlas. Atlas, segundo a lenda, era capaz de pegar o mundo com as mãos e colocá-lo no ombro e o sair carregando.
Antigamente, especialmente os gregos, achavam que os gigantes de fato existiam e que tinham muita força. Hoje, porém, se sabe que os gigantes mitológicos nunca existiram e que homem algum é capaz de carregar o mundo nas costas.
Mas há alguém, que mesmo não sendo gigante, que é capaz de carregar o mundo. Esse alguém é Deus. Diz Jesus: “Todo o poder me foi dado, no céu e na terra. Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.18,20).
Deus consegue carregar o mundo nas costas porque ele é todo-poderoso. Para ele não há nada impossível. Ele tem todo o poder, no céu e na terra.
Deus não apenas criou o mundo, mas ainda o sustenta e guarda. O Dr. Martinho Lutero, depois de dizer que Deus Pai é todo-poderoso, conclui dizendo: “Creio que Deus me criou a mim e a todas as criaturas, me deu corpo e alma, olhos, ouvidos e todos os membros, razão e todos os sentidos, e ainda os conserva. Além disso, me dá vestes, calçados, comida e bebida, casa e lar, esposa e filhos, campos, gados e todos os bens. Supre-me abundante e diariamente de todo o necessário para o corpo e para a alma, protege-me contra todos os perigos e me guarda de todo o mal”.
Parece que todo mundo sabe disso. Só que na hora do aperto e do perigo, muitos se esquecem dessa verdade. Em vez de confiar em Deus, se desesperam e correm atrás de recursos humanos.
É por isso que se vê tantas pessoas correndo atrás de horóscopos, macumba e feitiçaria. Outras ainda enchem o terreiro com ferradura velha, cabeça de boi e amuletos. Será que isso é confiar em Deus?
Segundo o Primeiro Mandamento, o dever do cristão é confiar em Deus acima de todas as coisas. É acreditar mais em Deus do que em médico, do que no dinheiro, do que nos bens terrenos e nos recursos humanos. É não se desesperar diante das dificuldades, mas confiar em Deus sempre.
Acabamos de iniciar mais um ano. Sempre quando se inicia um ano, surgem muitas perguntas. Queremos saber o que será do novo ano.
Ninguém sabe. Ninguém sabe o que será do novo ano. Só sabemos uma coisa: o mesmo Deus que nos guardou durante o ano passado, estará conosco também nesse novo ano, nos guardando e protegendo contra todos os males e perigos.
Deus estará conosco nos momentos bons, no convívio da família, no nosso lazer e no nosso dia-a-dia. Ele será o nosso bom Pastor, aquele que nos conduz aos pastos verdejantes. Ele será o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Ele será o nosso esconderijo, cuja sombra nos protege. Enfim, ele será o nosso fiel guardador, aquele que não dormita e nem dorme, mas vela sobre nós de dia e de noite.
Deus estará conosco também nos momentos difíceis, quando passamos por doenças, quando estamos em perigo ou quando a pobreza nos aperta.
Nas horas de angústias podemos invocá-lo, que ele nos livra. Podemos elevar os nossos olhos para o alto, que ele nos socorre. Podemos invocá-lo, que ele nos ouve.
Por isso não devemos temer o mal, ainda que andemos pelo vale da sombra da morte. Ainda que as águas tumultuem e espumejem e os montes estremeçam. Ainda que a peste se propague nas trevas e a mortalidade assole ao meio dia, pois o Senhor está conosco.
E quando as dificuldades forem tantas e a dor for tão grande, que não mais a podemos suportar, fazendo a nossa alma sair do corpo, então temos ainda a certeza: de habitar na casa do Senhor para todo o sempre.
É isso que Deus nos promete e garante. O que ele espera de nós? Deus espera de nós apenas duas coisas: Primeiro: que confiemos nele. Segundo: que andemos de acordo com a sua vontade.
Quando chega o fim do ano, além de outras coisas, muitas pessoas aproveitam a ocasião para limpar a gaveta e fazer uma faxina na casa.
Assim é também com vida cristã. É preciso que, de vez em quando, façamos uma limpeza, uma faxina na nossa vida espiritual. É preciso que joguemos na lata de lixo tudo aquilo que é pecaminoso, que é impuro e que não presta. E nada melhor para fazer isso do que aproveitar a virada do ano.
Muitas pessoas, mesmo se dizendo cristãs, se comportaram como verdadeiros pagãos durante o ano que passou: praticaram adultério, se embriagaram, freqüentaram lugares indecentes, cometeram desonestidade; envergonhando a igreja e a família com a sua atitude.
Muitas pessoas, desprezando a Palavra de Deus, andaram atrás das coisas do mundo. O rádio, a televisão e as diversões mundanas ocuparam de tal maneira a sua mente que não tiveram tempo para ler a Bíblia, buscar a Deus em oração e freqüentar os trabalhos da igreja.
Convido as pessoas que fizeram isso, que passem uma vassoura ou uma borracha nisso tudo e que iniciem uma nova vida. Que se ajoelhem diante de Deus e lhe peçam perdão pelo que fizeram. E Deus, com toda a certeza, lhes dará uma nova oportunidade.
O ano velho passou. Assim como o ano, também passam as nossas ilusões. Podemos ter muito estudo, grandes riquezas e ocupar alta posição social. Mas tudo isso é transitório e passageiro.
Só há uma coisa que não passa, que dura para sempre: as coisas de Deus. Diz o apóstolo João: “Não ameis o mundo e nem as coisas que há no mundo. O mundo passa, bem como os seus desejos. Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.15-17).
Por isso, tiremos tempo para ler a Bíblia e para ir à igreja. Deus quer e promete estar do nosso lado sempre. Mas ele espera que também aprendamos a ficar do lado dele, lendo e meditando na sua Palavra.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil


DEUS E OS NOSSOS PLANOS

Um dia, num lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago, numa das árvores surgiu um casulo. Quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda mariposa.
A borboleta ficou tão encantada com o lugar, que voou para cada pedacinho daquele novo mundo, brincou nas flores, no alto de uma colina, no lago e nas nuvens. Quando ela já tinha conhecido tudo, avistou uma casa.
Curiosa, destinada a conhecer tudo o que a vida lhe oferecia, a mariposa voou até aquela casa, entrou por uma janela e foi até a cozinha. De repente, ela viu sobre a mesa uma tigela cheia de sopa, parecida com manjar. Pensando que fosse nuvens, mergulhou naquela sopa, ficando toda lambuzada. E quanto mais ela se mexia, tentando escapar, mais ela afundava.
A borboleta então começou a rezar, pedindo que Deus a libertasse, prometendo, que se conseguisse sair dali, dedicar o resto de sua vida a ajudar o seu semelhante.
Enquanto esperneava, apareceu na cozinha o dono da casa. Olhou para dentro da tigela e viu a mariposa. Pegou-a pelas asas e a atirou pela janela.
A mariposa então se arrastou para um pedacinho de grama, começou a se limpar. Quando se viu liberta, lembrou-se da promessa que havia feito a Deus de dedicar o resto de sua vida a ajudar os outros insetos voadores. Mas estava tão cansada, que orou prometendo cumprir a sua promessa a partir de amanhã.
E a mariposa adormeceu. Mas, o que ela não sabia, e você talvez também não sabe, é que as mariposas vivem apenas um dia. E, naquele pedacinho de grama, a mariposa adormeceu, e nunca mais acordou.
Muitas pessoas, a semelhança dessa mariposa, fazem grandes planos e muitas promessas. Mas elas se esquecem de que a sua vida é passageira e de que a qualquer momento poderão morrer. Diz o salmista no Salmo 90 que “os dias da nossa vida são como o sonho, que não dura mais que uma hora; são como a flor do campo, que brota de manhã, e à tarde murcha e seca”.
Os dias da nossa vida, como a do velho Simeão, que pegou Jesus no colo, podem chegar até aos noventa anos. Mas neste caso, a maior parte deles á canseira e enfado, pois tudo passa rapidamente e nós voamos.
Por isso a Palavra Deus nos orienta a incluir sempre a Deus em nossa vida, que, toda vez que fizermos algum plano, sempre digamos: “Se Deus quiser, farei isso ou aquilo”. Diz o apóstolo Tiago: “Agora escutem, vocês que dizem: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos fazendo negócios e ganhando muito dinheiro! Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são apenas como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. O que vocês deveriam dizer é isto: Se Deus quiser, estaremos vivos e faremos isso ou aquilo” (Tiago 4.13-15).
Pois a vida não termina com a morte, mas com a morte começa uma nova etapa: ou com Deus no céu, ou com o diabo no inferno. É por esse motivo que o salmista, depois de dizer que os nossos dias são breves, ele ora a Deus, dizendo: “Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios”. Lutero traduziu assim este versículo: “Senhor, ensina-nos a lembrar que vamos morrer, a fim de nos tornarmos sábios”. 
A grande pergunta é: “Qual é esta sabedoria da qual fala o salmista, e que salva o ser humano da morte eterna?”
Esta sabedoria não consiste em ajuntar riquezas, casas, bens ou outros bens materiais. Pois eles nada nos poderão valer na hora da morte.
Aquele rico da história que Jesus contou em Lucas 16, que se vestia de púrpura e linho finíssimo e que se regalava esplendidamente, foi na hora da morte para o inferno, apesar de toda a sua riqueza.
E aquele outro rico, do qual fala Jesus em Lucas 12, cujos campos tinham produzido em abundância, e que disse a sua alma: “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come, bebe e regala-te”. Para aquele homem Deus disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?”
Esta sabedoria que salva o ser humano da morte eterna também não consiste em freqüentar universidade e adquirir muita sabedoria humana. Tudo isso nada nos adiantará na hora da morte.
A única sabedoria que nos salva da ira de Deus e da morte eterna é a que o apóstolo Paulo recomenda ao carcereiro de Filipos, quando disse: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16.31).
Esta sabedoria consiste na confiança absoluta nas palavras das Sagradas Escrituras, que diz: “Certamente ele (Jesus) tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.4,5).
É a sabedoria que confessamos com o poeta cristão: “Corre uma fonte divinal de sangue do Senhor. Ali terá perdão real o pobre pecador. //Eu nessa fonte banharei meu negro coração. Junto a Jesus então terei completa redenção”.
Se assim achamos em Cristo o perdão de nossos pecados, então temos paz de coração, segurança e tranqüilidade, podendo dizer como o velho Simeão: “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste para todos os povos: luz para revelação dos gentios e para a glória do teu povo Israel” (Lucas 2.29-32).
Pode você dizer o mesmo? Está você preparado para a morte? Se você morresse hoje, estaria você preparado?
Num dos cemitérios de Brasília há uma catacumba, cuja inscrição chama a atenção de todos os que passam por ela. Em cima está escrito: “Ó tu mortal, que vais passando, tu eras como eu era e serás como eu sou!”
Hoje estamos vivos, amanhã podemos estar mortos. Hoje podemos ver ou até levar uma pessoa para o cemitério, amanhã podemos ser nós que estamos sendo levados para lá. Por isso diz o profeta Amós: “Prepara-te para te encontrar com o teu Deus” (Amós 4.4).
Quem está preparado para se encontrar com Deus, também está preparado para enfrentar a morte: hoje, amanhã, neste ano, no ano que vem – ou daqui a 60 ou 80 anos.
Incluamos, pois, Deus em todos os nossos planos, a fim de que não sejamos surpreendidos pela morte totalmente desprevenidos, como aquela borboleta; mas sim, preparados e confiantes na graça do Senhor Jesus, como o velho Simeão.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

sábado, 11 de dezembro de 2010

A COROA DE ADVENTO


No ano de 1755 um grupo de pioneiros da Pensilvânia, Estados Unidos, estava sendo cercado por várias tribos de índios. Os pioneiros decidiram se reunir numa pequena vila. De dia podiam ver os índios ajuntando-se de várias direções. E à noite podiam observar os sinais de fogo, ouvir os gritos de guerra e as batidas dos tambores. A situação era desesperadora.
Então veio o Natal. Cedo de manhã, homens, mulheres e crianças se reuniram na vila e começaram a cantar hinos de Natal. Ao terminar de cantar, olharam e, para a sua surpresa, viram que os índios estavam se dispersando, embrenhando-se nas matas.
Mais tarde, ao se tornarem amigos dos índios, estes explicaram porque fizeram isso. Enquanto os chefes estavam reunidos em conselho de guerra, os ventos traziam aos seus ouvidos o som doce e alegre dos cânticos de Natal. A música espantara a hostilidade dos seus corações. Foi assim que aqueles pioneiros da Pensilvânia foram salvos do massacre. Aquele Natal foi especialmente alegre e significativo para eles.
Este Natal pode ser significativo e alegre também para você, independentemente da situação em que você se encontrar, se você cantar com sinceridade os hinos de Natal e crer na mensagem que os anjos anunciaram aos pastores das campinas de Belém: “Não temais: eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo. É que hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo o Senhor”.
Advento é tempo de alegria. A razão dessa alegria é Cristo. Pois Advento significa vinda, chegada.
Os quatro domingos de Advento lembram os quatro mil anos, nos quais o povo de Deus esperou pelo nascimento do Salvador Jesus.
A primeira promessa da vinda de um Salvador foi dada por Deus a Adão e Eva, logo após a queda deles em pecado. A promessa foi repetida muitas vezes aos patriarcas e profetas.
Desde Adão e Eva, muitos fiéis esperaram ansiosamente pelo cumprimento desta promessa de Deus, até que finalmente, “o tempo se cumpriu”, e o Salvador Jesus nasceu em Belém da Judéia.
Hoje, olhamos para trás e observamos como o povo de Deus do passado aguardava a vinda de Jesus. Eles meditavam nas misteriosas profecias, buscando nelas consolo, orientação e forças para a vida.
Deles queremos aprender a confiar na Palavra de Deus, a lutar e esperar, pois também nós vivemos em tempo de espera. Esperamos a segunda vinda de Cristo.
Em breve Jesus voltará, não mais humilde, mas em poder e glória, com todos os santos anjos, para julgar vivos e mortos. Então ele criará novo céu e nova terra, para habitar com os fiéis eternamente.
No tempo de Advento, muitas igrejas estão enfeitadas com a coroa de Advento. Este símbolo ainda não tem muita história na igreja cristã. Ele se firmou como símbolo de Advento na Europa, após a primeira guerra mundial. Mas, sua simbologia é muito significativa. Vejamos.
A coroa. A coroa simboliza vitória e poder. Coroas são usadas para festejar vitórias. Soldados e atletas vencedores são homenageados com coroas. Os cristãos passaram a usar coroas também em seus atos fúnebres, para declarar: “Nossos irmãos falecidos são vencedores, pela graça de Cristo. As coroas expressam a esperança e certeza da ressurreição”.
A coroa de Advento quer anunciar a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e Satanás. Seus ramos verdes falam da nova esperança, da vida e da alegria que aguarda os fiéis na eternidade, pois cremos na “remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”.
A coroa de Advento tem o formato de um anel, que lembra a aliança de amor. Uma aliança que envolve os que nela participam.
A coroa de Advento fala do amor de Deus em Cristo, da nova aliança de amor com aqueles que nele crêem. Este amor penetra os corações e concede vida nova.
Pela fé em Cristo somos novas criaturas. Isto se revela no dia a dia e perpassa a vida familiar, profissional, social, nossas alegrias e tristezas, a tal ponto que também a coroa de espinhos, que Jesus carregou e pela qual santificou nossos sofrimentos. Sabemos “que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que temem e amam a Deus”.
As velas. A coroa de Advento é enfeitada com quatro velas e alguns colocam uma vela no centro da coroa.
As quatro velas lembram os quatro mil anos em que o povo de Deus esperou pelo nascimento do Salvador Jesus.
Cada vela quer simbolizar e anunciar um conteúdo bem específico. Jesus a luz do mundo: que veio para libertar, trazer a paz e voltará para julgar vivos e mortos. Ele enche nossa alma de alegria, paz e esperança.
A primeira vela. A primeira vela, acesa no primeiro domingo de Advento, anuncia que Jesus é a luz do mundo.
O mundo jaz nas trevas do pecado. Cristo, porém, veio nos libertar do pecado e trazer luz aos nossos corações. Diz o evangelista Mateus, referindo-se a Jesus: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz”.
A segunda vela. A segunda vela, acesa no segundo domingo de Advento, lembra a grande libertação que Jesus trouxe.
Jesus veio para libertar. Esta libertação é a libertação de nossos verdadeiros inimigos. O inimigo número um é o pecado. O inimigo número dois é a morte. O terceiro inimigo é Satanás. Diz a palavra de Deus: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
A terceira vela. A terceira vela, acesa no terceiro domingo de Advento, lembra que Jesus veio como príncipe da paz.
Sim, Jesus é o Príncipe da Paz. Ele nos reconciliou com Deus. Nele temos perdão dos pecados, e pelo perdão, paz com Deus. Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.
A quarta vela. A quarta vela, acesa no quarto domingo de Natal, anuncia a grande alegria natalina, de que Jesus é Rei dos reis.
Na primeira vinda, Jesus veio humilde. Ele se humilhou profundamente. Nasceu pobre numa estrebaria em Belém, foi desprezado e morto pelos homens.
Em breve Jesus voltará. Não mais em humilhação, mas em grande glória e majestade, com todos os seus santos anjos, para julgar vivos e mortos.
A vela de Natal. Após o quarto domingo de Advento, vem o dia 25 de dezembro, que é Natal. A vela do meio é acesa. Ela simboliza o nascimento de Jesus, o Príncipe da Paz. O profeta Isaías profetizou a respeito do Natal: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.
Por isso os anjos anunciaram aos pastores nos campos de Belém: “Não temais: eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo o Senhor”.
Eis a mensagem da coroa de Advento: Cristo é Rei dos reis. Ele venceu nossos inimigos: o pecado, a morte e Satanás. E, todo o que confia na palavra de Deus, tem o que estas palavras lhe oferecem: remissão dos pecados, vida e salvação.
Em breve Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos e receber os seus fiéis no reino da glória, no novo céu e na nova terra.
Que esta mensagem fique gravada no fundo do nosso coração e nos firme na esperança da vinda de Cristo para o grande e derradeiro dia de sua vinda em glória. Por isso a Bíblia termina com a mensagem de Advento: “Certamente venho sem demora. Conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa”.  E a igreja toda responde: “Amém. Vem, Senhor Jesus”. Amém.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

NO NATAL DEUS VEIO MORAR ENTRE NÓS


Havia certa vez um rei muito caridoso. Ele procurava governar o seu país da melhor maneira possível. Porém, apesar de todos os seus esforços, ele não conseguia agradar o povo. Havia muita reclamação entre os seus súditos.
Ele, então, procurou conselho junto aos sábios da corte para saber o que fazer para conseguir agradar o povo. Os sábios se reuniram e chegaram à conclusão que, para o rei entender os anseios do povo e fazer um governo que os agradasse, só haveria uma maneira: ele tinha que descer do trono, se juntar ao povo e se tornar igual a eles.
O rei fez conforme lhe aconselharam. Ele saiu do palácio, se vestiu como um colono e foi morar entre o povo. Ele começou a sentir o que o povo sentia e ouvir as reclamações que o povo tinha a fazer. Ele viu que o que povo queria não era grandes obras, mas sim, estrada, saúde, educação e segurança.  Segundo a lenda, depois de um ano, ele voltou novamente ao palácio e fez um grande governo.
Foi isso que Deus fez na pessoa de Jesus por ocasião do primeiro Natal. Ele assumiu a identidade humana. Ele renunciou ao trono da glória para conquistar o coração dos seres humanos. Diz o apóstolo Paulo na carta aos Filipenses: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2.5-8).
E o autor da carta aos Hebreus escreve, dizendo: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; antes, ele [Jesus] foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Aproximemo-nos, portanto, confiantemente junto ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hebreus 4.15-16).
No Natal nós nos lembramos da humanação de Jesus, quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nesse dia o rei Jesus deixou o trono da glória para se fazer um ser humano como qualquer um de nós, a fim de cumprir a lei em nosso lugar, evangelizar os povos e morrer pelos seres humanos.
Durante o tempo em que Jesus esteve aqui na terra ele, embora fosse o Emanuel, o Deus encarnado, ele se comportou como um simples ser humano, mostrando a sua divindade apenas algumas vezes quando realizava os seus milagres e fazia os seus discursos.
Se nós formos olhar para a vida de Jesus, parece que tudo deu errado. Primeiro, ele nasceu numa estrebaria, num curral de gado. Era de se esperar que Jesus nascesse num palácio. Afinal, ele era o Filho de Deus, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Foi por isso que os magos do oriente, quando vieram adorar o Menino Jesus, o procuraram no palácio do rei Herodes em Jerusalém. Mas lá não havia ninguém. O rei Herodes nem sabia do seu nascimento, nem tampouco o povo de Jerusalém.
Depois, no seu ministério, ele foi rejeitado e desprezado. Ele não foi bem aceito pelos homens. Diz o apóstolo João: "Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam" (João 1.11).
Às vezes ele não tinha nem lugar para dormir, para descansar o corpo. Por isso, num certo lugar dos Evangelhos, ele reclama, dizendo: "As raposas têm os seus covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do homem não tem nem onde reclinar a sua cabeça" (Mateus 8.20).
E, finalmente, no fim de sua vida, ele foi humilhado, desprezado e colocado numa cruz, como um criminoso, como um marginal, como um bandido. Parecia que ele estava sozinho, que até o próprio Deus o havia abandonado. Por isso, como que desesperado, ele clama no alto da cruz: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mateus 27.46).
Mas Deus não o havia desamparado. Tudo o que estava acontecendo com ele estava nos planos de Deus: desde o seu humilde nascimento, até a sua morte na cruz. Isso tudo havia sido predito pelos profetas. Esse era o plano de Deus para salvar o mundo. O profeta Isaías, por exemplo, depois de descrever em minúcias o seu sofrimento e morte no capítulo 53 do seu livro, conclui dizendo: "Quando ele [Jesus] olhou para trás e viu o fruto do seu trabalho, ficou satisfeito".
Jesus, segundo o plano de Deus, veio na plenitude dos tempos. Ele nasceu na cidade de Belém, segundo o plano de Deus. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, tudo segundo o plano de Deus. E, segundo o plano de Deus, Jesus um dia voltará. Isso vai acontecer quando o Evangelho for pregado em todo mundo. Então virá o fim.
Ele não virá mais como um bebê indefeso, mas em glória e majestade. Virá para julgar os vivos e os mortos, quando "ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Filipenses 2.10,11).
Estamos esperando, portanto, a sua vinda em glória, para julgar os vivos e os mortos, para levar junto consigo os que nele crêem e se prepararam para a sua vinda.
O mundanismo hoje está tomando conta do mundo. Muitas pessoas, em vez de se preparar para celebrar o Natal de Jesus, estão se preocupando com as coisas externas, que nada tem a ver com o nascimento de Jesus. Enfeitam a casa, mas não adornam o seu coração. Compram presentes para os seus filhos, mas não reconhecem em Jesus um presente de Deus. Chamam um velhinho inexistente de Papai Noel, quando o nosso verdadeiro Pai é Deus.
O comércio tem se aproveitando desse dia para aumentar os seus lucros através de grandes vendas, fazendo com que muitas pessoas gastem mais do que podem. Depois elas ficam quase o ano todo pagando prestações.
Precisamos novamente recuperar o verdadeiro sentido do Natal. Precisamos de nos conscientizar o que é realmente importante no Natal e o que é secundário. Do contrário, podemos ser surpreendidos como o povo de Israel, que se esqueceu de tal modo do Messias Prometido que, em vez de recebê-lo como um rei, o receberam como um mendigo, deixando-o nascer numa estrebaria, num curral de gado.
Quando Cristo veio pela primeira vez, ele pôde ser desprezado e morto. Mas quando ele vier na segunda vez, em majestade e glória, quem o desprezar, será condenado ao fogo do inferno. E, para que isso não aconteça, Deus envia mensageiros, à semelhança de João Batista, a fim de que preparem o nosso coração mediante a pregação do evangelho, dizendo: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3.2).
É necessário que nos arrependamos dos nossos pecados para que entre o Rei da Glória, conforme o Salmo 24. Apenas quem tem o seu coração purificado mediante o sangue de Cristo derramado na cruz é que pode receber com dignidade o Rei Jesus vindo em glória.
O povo de Jerusalém, ao ver Jesus entrando na cidade, estendeu as suas vestes e ramos de árvores pelo caminho por onde ele passava, dizendo: "Hosana, ao filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!" (Mateus 21.9).
Na Santa Ceia, quando lembramos a morte de Jesus e nos preparamos para o seu retorno, nós cantamos: "É verdadeiramente digno, justo e do nosso dever, que em todos os tempos e em todos os lugares te demos graças, ó Senhor, santo Pai, onipotente, eterno Deus. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Portanto, com os anjos e arcanjos e com toda a companhia celeste louvamos e magnificamos o teu glorioso nome, exaltando-te sempre, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exércitos. Os céus e a terra estão cheios de sua glória. Hosana, hosana, hosana nas alturas! Bendito, bendito, bendito aquele que vem em nome do Senhor. Hosana, hosana, hosana nas alturas!" (Hinário Luterano, página 39).
O livro de Apocalipse é o que mais fala do retorno de Cristo. Por isso, o saudoso professor Dr. Johannes H. Rottmann intitulou o livro que escreveu sobre o Apocalipse de "Vem, Senhor Jesus". Pois no capítulo 5 de Apocalipse encontramos o conhecido Cântico do Cordeiro, onde toda criatura, no céu e na terra, exalta a Cristo dizendo: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor". E o apóstolo João conclui, dizendo: "Então ouvi toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Aquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, será o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 5.12,13).
Por isso, neste Natal, como em todos os dias da nossa vida, preparemos o nosso coração, orando como o poeta sacro: "Enche os nossos corações com o teu real poder. De pecados e tentações, vem, Jesus, nos defender. Pois nós somos tua grei. Glória, glória a ti, ó Rei!" (Hinário Luterano 124.1).
E então, um dia na eternidade, podemos cantar junto com o grande coro dos anjos: "Glória a Deus nas maiores alturas e paz (...) entre os homens, a quem ele quer bem".

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DIANTE DO TRIBUNAL DE DEUS

Certo homem tinha três amigos. Um dia ele foi chamado ao tribunal. Os seus negócios estavam tão embaraçados que uma condenação parecia inevitável. Nessas circunstâncias recorreu aos seus três amigos, rogando-lhes que o ajudassem.
O primeiro amigo disse: “Tudo o que posso fazer é dar a você um traje novo para comparecer diante do tribunal”. O segundo disse: “Irei com você até a porta do tribunal. É o que eu posso fazer por você”. E o terceiro amigo, de quem mais nada esperava, disse: “Eu entrarei com você no tribunal e falarei a seu favor”. Assim fez. Falou tão bem a favor do amigo, que este foi absolvido pelo tribunal.
Esta estória, dizia um velho oriental, será a história de sua vida no dia da sua morte.
Um amigo lhe dará o seu último trapo, a mortalha: é o dinheiro que vocês tanto amam. É o máximo que pode fazer. Outro amigo lhe acompanhará, é o mundo: os seus pais, seus amigos e conhecidos, que lhe acompanharão até o cemitério. É o máximo que podem fazer. O terceiro e fiel amigo, que não lhe abandonará, mas por você intercederá junto ao tribunal de Deus, é o Senhor Jesus.
Qual dos três amigos estará ao seu lado no dia em que você deixar este mundo, no dia em que você se encontrar com Deus em juízo?
É muito conhecida a história daquela senhora que cometeu um crime e não quis aceitar a ajuda de um advogado amigo, achando que podia se defender sozinha. Depois, no entanto, quando viu que ia ser condenada, resolveu procurar o advogado. Mas era tarde, pois este advogado havia sido nomeado como o juiz da cidade e ele teve que condená-la.
Jesus quer ser o seu advogado. Ele quer defendê-lo diante do tribunal de Deus. Diz o apóstolo João: “Filhinhos, não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é o perdão dos nossos pecados, não somente dos nossos, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2.1,2).
Por isso, confie em Jesus enquanto você está aqui neste mundo, antes que você esteja diante do tribunal divino. Então Jesus poderá não mais ser o seu advogado, mas o juiz, que lhe dará a sentença final.
Um dia todos nós estaremos diante do tribunal divino para prestar contas a Deus por tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. Por isso, a nossa maior preocupação, enquanto estivermos aqui neste mundo, deve ser a salvação de nossa alma, o preparo para o encontro que teremos com Deus. Diz o apóstolo Paulo em Filipenses 2.12: “Desenvolvei a vossa salvação com tremor e temor”. E Jesus, em Mateus 6.35, nos exorta para que busquemos em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça.
Porém, o que se observa é o contrário. A grande parte da humanidade pouco se preocupa com a sua salvação. Vivem como se não houvesse um dia de prestação de contas.
Uns nem crêem na existência de Deus. Outros até crêem, mas não acreditam que possa haver vida depois da morte. E, como não acreditam na vida eterna, eles fazem das palavras “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” o lema de sua vida.
Há aqueles que crêem tanto em Deus como na vida eterna. Mas estão tão ocupados com as coisas do mundo, com as riquezas e os prazeres da carne, que não conseguem tempo para se preocupar com a salvação de sua alma, para buscar as coisas de Deus. Eles se consolam com o pensamento de que ao homem cabe cuidar da sua vida terrena, pois do futuro Deus se encarrega, que na hora da morte Deus dará um jeito.
Para estes, e para o mundo em geral, é loucura alguém se preocupar com a sua salvação, de se preocupar com as coisas de Deus. Para eles os cristãos são uns tolos, de perder tantas coisas boas que o mundo oferece só por causa da sua salvação.
Eles não conseguem entender como alguém é capaz de ir à igreja todos os domingos, de tirar tempo para ler a Bíblia e renunciar os prazeres da carne por causa da salvação de sua alma.
Mas será tolice mesmo, conforme pensa o mundo, se preocupar com a salvação, com o nosso destino eterno? Será mesmo, como disse Jesus, tão importante assim buscar em primeiro lugar as coisas de Deus?
Conforme A Palavra de Deus, preocupar-se com a salvação e buscar em primeiro lugar o bem estar espiritual é muito mais importante do que podemos imaginar. Tolice é não se preocupar com isso. É tolice por que:
Primeiro: um dia todos nós temos que comparecer perante o tribunal de Deus para lhe prestar contas da nossa vida; segundo: Deus nos deu um prazo a fim de nos preparar para a vida eterna, e esse tempo um dia termina.
Diz Jesus no Evangelho de Lucas, capítulo 16: “Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens. Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isso que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela”.
Aqui nesta parábola Jesus fala de um empregado infiel, de um administrador que gastava os bens do seu dono de uma maneira irresponsável. O administrador agia como se tudo fosse dele, como se nunca tivesse que prestar contas a ninguém.
E assim ele foi levando a vida, gastando o que não era seu, sem se preocupar com o que poderia acontecer no futuro. Mas um dia ele foi descoberto e todos os seus erros vieram à tona: o seu patrão mandou chamá-lo à sua presença, pedindo que ele prestasse contas daquilo que estava fazendo. Disse-lhe o patrão: “Que é isso que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela”.
Nesta parábola Jesus descreve o procedimento da grande maioria dos homens, que vivem neste mundo sem Deus e praticam tudo o que é tipo de pecado, como se eles não tivessem que prestar contas a ninguém.
Eles não buscam o reino de Deus e nem se preocupam com a sua salvação. Acham que se preocupar com as coisas de Deus é pura perda de tempo. O melhor mesmo é aproveitar a vida, pensam eles.
Porém, pensar assim é uma grande loucura. É loucura porque há um Deus lá no céu, um Deus que tanto pode salvar como condenar. Lemos em Mateus 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele (Deus) que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.
Nós não temos apenas um corpo, temos também uma alma. O corpo, na hora da morte, vai para a sepultura, mas a alma continua a existir. Lemos em Eclesiastes 12.7: “O pó volta à terra, como o era; e o espírito volta a Deus, que o deu”.
E um dia, quando Cristo voltar, o corpo receberá de volta a alma que se desprendeu dele na hora da morte, e ele voltará a viver para sempre. Diz Jesus em João 5.28,29: “Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem feito o mal, para a ressurreição do juízo”. E no livro do profeta Daniel 12.2 nós lemos: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão: uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e horror eterno”.
O dia em que os mortos ressuscitarão é o dia do Juízo Final. Neste dia todos terão que comparecer diante de Deus para prestar contas a ele por tudo o que fizeram. Assim lemos em 2 Coríntios 5.10: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem e o mal que tiver feito por meio do corpo”. E o apóstolo Paulo, em Atos 17.31, acrescenta, dizendo: “Por isso Deus adverte aos homens em toda parte que se arrependam, porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou”.
Infeliz daquele que comparecer ao tribunal de Deus sem estar preparado, sem ter se preocupado com a sua salvação. Infeliz daquele que viveu em pecado, que não aceitou a Cristo como o seu Salvador.
Este comparecerá de mãos vazias perante o Senhor, nada possuindo, a não ser uma enorme dívida: a dívida do pecado. Como não tem consigo nada para pagar essa dívida, será lançado fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.
O administrador infiel foi trazido ao seu patrão e acusado por todos os males que praticou. Todos os seus erros foram revelados: os acusadores viram tudo o que ele fizera e contaram ao dono o que sabiam a respeito dele.
Também nós temos os nossos acusadores, aqueles que nos acusam diante de Deus quando erramos, quando cometemos algum pecado. São três os acusadores.
O primeiro acusador é o diabo. O diabo não apenas nos tenta, querendo nos levar ao pecado, mas ainda nos acusa diante de Deus quando pecamos. Em Apocalipse 12 ele é chamado de “o grande acusador, que nos acusa dia e noite diante de Deus”.
O diabo nos acusa diante de Deus cada vez que nós pecamos, dizendo para Deus que pertencemos a ele, pois estamos fazendo a vontade dele e não de Deus. E ele não deixa escapar nenhum pecado, dedura tudo para Deus.
O segundo acusador é Moisés. Diz Jesus em João 5.45: “Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança”.
Moisés simboliza a lei, visto que a lei nos foi dada através dele. E como é que a lei nos acusa? Simplesmente dizendo que estamos errados quando cometemos algum pecado. Cada vez que cometemos algum pecado a lei nos mostra o erro que cometemos, levando-nos às vezes ao desespero. Para isso servem os mandamentos: para mostrar os nossos pecados.
O terceiro acusador é a consciência. A nossa consciência, assim como a lei, nos acusa cada vez que cometemos algum pecado. Ela nos faz sentir tristeza e provoca até mesmo remorso em nós pelos nossos pecados. Ela não nos deixa em paz enquanto não nos arrependemos dos nossos pecados e buscamos o perdão de Deus.
Todos esses acusadores nos acusam de havermos desperdiçado os bens do nosso dono. Isto é: eles nos acusam de termos pecado contra Deus. E eles têm razão.
Deus, como aquele homem rico, nos confiou uma riqueza enorme, que são: os nossos bens, dons, talentos e oportunidades. E o maior deles é o dom da salvação, a graça de Deus que nos é oferecida na palavra e nos sacramentos. Ai daquele que desperdiçar esse dom, não valorizando o que Deus nos oferece através de Cristo.
Mas ainda é tempo de usarmos os nossos dons a serviço do Senhor, de buscarmos a Deus e de desenvolver a nossa salvação.
Aquele administrador infiel, do qual Cristo fala no nosso texto, depois de ser acusado, teve tempo para por em dia os seus negócios e sair da situação difícil em que se encontrava.
Quando ele soube que fora acusado perante o seu chefe, não perdeu tempo, mas logo procurou uma maneira de escapar do perigo e sair do aperto em que se encontrava. Ele disse consigo mesmo: “O que farei, pois que o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. Eu já sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas”.
Ele chamou em seguida aqueles que deviam ao seu chefe e lhes perdoou a metade da dívida. Assim essas pessoas se tornaram em seus amigos; e ele, ao ser despedido pelo patrão, tinha agora onde ficar: na casa dos amigos.
Jesus conta essa história para nos mostrar que, assim como os filhos do mundo são espertos, usando de toda a astúcia e expediente para escapar de alguma dificuldade, assim também os cristãos devem usar de toda a prudência para escapar da condenação eterna. Eles devem de aproveitar bem o tempo que têm para se preparar para a outra vida. Devem se arrepender dos seus pecados e confiar no perdão de Deus antes que seja tarde.
Como o patrão daquele administrador infiel, Deus também se dirige a nós, dizendo: “O que é que você está fazendo? Preste conta da sua vida!”
Cada vez que ouvimos a palavra de Deus, Deus nos convida a prestar contas daquilo que estamos fazendo. Através da sua palavra Deus nos lembra que somos pecadores e que haverá um dia de prestação de contas. Por isso é necessário que aproveitemos o tempo que nos resta nesta vida para nos arrependermos dos nossos pecados e buscar o perdão de Deus.
O administrador infiel, na hora do aperto, tinha a quem recorrer: os seus amigos. Os seus amigos o socorreram na hora do perigo, dando-lhe proteção.
Também nós temos a quem recorrer. Quando Deus exigir prestação de contas de nós, nós podemos recorrer a Jesus. Jesus pagou pelos nossos pecados. Ele é o nosso amigo.
Quando a nossa consciência, ou a lei, ou o próprio diabo nos acusar diante de Deus, Jesus se transforma em o nosso advogado e nos defende, dizendo que os nossos pecados já foram perdoados, que não há mais nada contra nós. Diz o apóstolo João: “Filhinhos, não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2.1,2).
Quando alguém entra em questão com alguma pessoa e leva o caso ao juiz, a pessoa acusada precisa de um advogado para se defender. E ajustar um advogado não é para qualquer um; é preciso muito dinheiro.
No entanto, para Jesus ser o nosso advogado não é preciso de dinheiro. Ele requer de nós apenas que reconheçamos os nossos pecados e confiemos que ele pode nos salvar. Diz ele na sua palavra: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).
Se Deus lhe chamasse hoje para lhe prestar contas da sua vida, você estaria preparado para enfrentar o tribunal divino? Você tem a Jesus como o seu Advogado, Salvador e Amigo?
Lembre-se: um dia você estará diante do tribunal de Deus. Cuidado para não comparecer diante de Deus de mãos vazias, sem fé e sem arrependimento. E o que é pior: sem o advogado Jesus.
Por isso, busquemos, enquanto é tempo, as coisas de Deus, preocupando-nos com o nosso destino eterno, desenvolvendo com temor e tremor a nossa salvação, para que, quando estivermos diante do tribunal divino, Deus possa nos dizer: “Vinde, benditos de meu Pai. Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil