quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O SENHOR É O MEU PASTOR

Certa vez um conferencista muito famoso foi assistir a um culto no domingo de manhã em uma igreja na Escócia. Como se tratasse de um grande orador, foi-lhe pedido que recitasse o Salmo 23. Ele concordou. Recitou com muita graça e perfeição o salmo. A congregação ficou impressionada com a sua declamação.
Em seguida alguém da platéia pediu que o pastor recitasse o mesmo salmo. Humilde, mas sinceramente, ele o fez com grande sentimento. Quando terminou, a congregação tinha lágrimas nos olhos de emoção.
O culto terminou. Um amigo do conferencista veio ter com ele e perguntou-lhe se havia notado o efeito diferente que as duas recitações tinham tido sobre o povo. Por um momento o orador guardou silêncio. Depois replicou com um alto senso de humildade: “Sim, eu notei. É que eu conheço o salmo, mas ele conhece o pastor”.
O Salmo 23 é o salmo mais bonito, conhecido e lido por todos. Quantas pessoas, no leito da morte, já não recitaram este salmo? Outras pessoas, em momentos de dificuldades, tribulações e angústias encontraram neste salmo consolo, conforto e ânimo.
O Salmo 23 é tão consolador e confortante porque nasceu da experiência do próprio autor. O salmista Davi neste salmo conta a sua própria experiência. Ele no Salmo 23 retrata a sua própria vida.
Assim como as ovelhas estão sujeitas a muitos perigos, necessitando de alguém que as cuide, assim também ele, Davi, precisava de um bom pastor que tomasse conta de sua vida nesse mundo de perigos, dificuldades e tentações. Portanto, para entendermos bem o Salmo 23 é preciso que conheçamos alguma coisa sobre as ovelhas.
A ovelha é um animal manso, indefeso e que necessita de muitos cuidados da parte do pastor. Especialmente nos tempos bíblicos, em que foi escrito o salmo, existiam muitos ladrões, assaltantes e animais ferozes. O pastor tinha que ficar em constante alerta contra os perigos. Além disso, era o pastor que levava as ovelhas para o pasto e depois as reconduzia de volta.
Também nós nesta vida enfrentamos muitas dificuldades, perigos e obstáculos. Precisamos muito de um bom Pastor que nos ajude. E Deus está sempre pronto para nos ajudar e defender contra todos os perigos. Ele não nos deixa faltar nada: dele vem o sustento e a força para a vida. Por isso podemos dizer: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”.
Um dos trabalhos do pastor de ovelhas era procurar sempre a melhor pastagem para as suas ovelhas, como também água limpa e fresca. E os pastores faziam isso com muito cuidado, porque sabiam que disso dependia o seu sucesso como pastor.
Também o nosso bom Pastor Jesus procura sempre o melhor para nós. Deus nos ama e por isso procura sempre o nosso bem. Tudo o que precisa ser feito por nós, ele o faz.
Embora o pastor de ovelhas sempre deseje o bem de suas ovelhas, ele, no entanto, tinha que fazer algumas coisas com elas que elas não gostavam.
Quando, por exemplo, elas estavam com bicheira, era preciso colocar remédio na ferida, o que ardia muito. Outras vezes ele tinha que lhes aplicar uma injeção ou ainda fazer uma pequena cirurgia a fim de abrir um tumor.
Também nós como cristãos passamos por coisas que não gostamos e nem entendemos. Algumas vezes são problemas financeiros, outras vezes é um acidente, doença ou ainda a morte. Mas Deus sabe o que é melhor para nós. Diz ele em sua Palavra, em Isaías 29: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito: pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.
Deus nunca deseja o mal de seus filhos, mas sempre o bem. Por isso doenças, dificuldades nos negócios, acidentes e morte, não devem ser considerados pelo cristão como um castigo, mas sim como uma bênção. É o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 8.28: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”.
Mas o pastor de ovelhas tinha que fazer coisas ainda piores do que aplicar injeção e rasgar tumores: ele tinha que às vezes quebrar a perna das ovelhas rebeldes e fujonas para que ficassem junto com as outras ovelhas.
Um pastor conta que ele tinha certa vez uma ovelha que não lhe obedecia: sempre passava na cerca, fugia e não queria ficar junto com as outras ovelhas. Ele fez de tudo para segurá-la: colocou-a num pasto melhor, mas nada adiantou.
E, a fim de que ela não estragasse as outras ovelhas, o pastor teve que fazer uma coisa que ele não gostava, mas que foi obrigado a fazer: teve que quebrar uma das pernas da ovelha. E depois que ele quebrou a perna dela, ela nunca mais saiu do pasto e nem se afastou das outras ovelhas.
Quantas vezes nós como cristãos também nos afastamos da comunhão com Deus, nos tornamos rebeldes, fugimos e não mais o obedecemos. Deus nos chama de volta pelo Evangelho, faz de tudo para não nos perder. Mas quando ele vê que não tem jeito, ele nos joga na cama, permite acontecer um acidente na nossa vida, um fracasso financeiro, a fim de nos trazer de volta para a Cristo. É o que nós lemos em Hebreus 12: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele é reprovado. Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo a quem recebe como filho”.
Nesse sentido a própria morte do cristão pode ser considerada uma bênção: Deus o está chamando ao descanso eterno antes que ele se desvie ou sofre mais sobre a terra. Deus conhece a vida e o fim de cada um de nós. Ele sabe o que pode acontecer quando uma pessoa viver mais tempo sobre a terra.
Por isso, antes que ele se desvie ou passe por grandes sofrimentos, Deus o leva para junto de si. Ouçam o que Deus diz em Isaías 57: “Perece o justo e não há que se impressione com isso? E os homens piedosos são arrebatados, sem que alguém considere nesse fato! Pois o justo é levado antes que venha o mal e entra na paz. Descansem nos seus leitos os que andam em retidão”.
Por isso dizemos no Salmo 23: “Ainda que eu ande pelo vele da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”.
Ora, se Deus está conosco e se Deus só deseja o nosso bem, então não precisamos ficar com medo, mesmo quando passamos por momentos difíceis, pois tudo cooperará para o nosso bem.
E, quando as dificuldades da vida forem tão grandes que não podemos mais suportar, fazendo a nossa alma sair do corpo, podemos ter a certeza de que “habitaremos na casa do Senhor para todo o sempre”.
Esse é o Salmo 23. Aqui está o motivo porque os cristãos, nas mais diversas situações, encontram consolo, conforto e ânimo nesse salmo.
Conhece você o bom Pastor? Pode você dizer o mesmo que o salmista Davi: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará?”.
Se a sua resposta for sim, então enfrente a vida com a cabeça erguida, certo de que com a presença do bom Pastor Jesus nada lhe faltará. De que, enquanto estiver aqui neste mundo, neste vale de lágrima, a bondade e a misericórdia do Senhor lhe acompanhará todos os dias da sua vida. E quando a vida terminar, você tem a certeza de que irá habitar com o Senhor para todo o sempre. Amém.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil

OS CAMINHOS DE DEUS

Conta-nos uma lenda oriental que havia certa vez três árvores em uma floresta. Elas conversavam entre si, planejando o que queriam ser quando ficassem adultas.
Uma das árvores disse que, quando crescesse, queria ser transformada num belo palácio. A outra disse que, quando crescesse queria ser transformada em um espaçoso navio, que velejasse pelos mares, carregando reis e príncipes. A terceira árvore disse que queria permanecer na floresta, apontando sempre para Deus, o criador de todas as coisas.
Um dia veio o lenhador e cortou a primeira árvore. Mas, ao invés de ser utilizada em um palácio, a sua madeira foi empregada na construção de um curral de gado, onde nasceu o Menino Jesus.
As pranchas de madeira da segunda árvore, que queria ser um grande navio, foram aproveitadas na armação de um pequeno barco que, singrando docemente ás águas do mar da Galiléia, conduzia o Mestre Jesus, o qual, do seu convés, pregava às multidões.
Finalmente, a terceira árvore, que queria ficar de pé, apontando para Deus, foi convertida em uma cruz, onde foi pregado o Redentor da humanidade. Desde então aquela cruz, instrumento de suplício atroz, vem apontando o amor de Deus aos homens.
Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas. Nem sempre os nossos ideais combinam com a vontade de Deus. Às vezes planejamos uma coisa e Deus, na sua sabedoria, traça outros caminhos para nós.
Entretanto, tudo o que Deus faz, ele visa sempre o nosso bem. Diz ele na sua Palavra: “Porque os meus pensamentos não sãos os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55.8,9).
Se nós formos olhar para a vida de Jesus, parece que tudo deu errado. Primeiro: ele nasceu numa estrebaria, num curral de gado.
Era de se esperar que Jesus nascesse num palácio. Afinal, ele era o Filho de Deus, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Foi por isso que os magos do oriente, quando vieram adorar o Menino Jesus, o procuraram no palácio do rei Herodes em Jerusalém. Mas lá não havia ninguém. O rei Herodes nem sabia do seu nascimento, nem tampouco o povo de Jerusalém.
Depois, no seu ministério, ele foi rejeitado e desprezado. Ele não foi bem aceito pelos homens. Diz o apóstolo João: “Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam” (João 1.11).
Às vezes ele não tinha nem lugar para dormir, para descansar o corpo. Por isso, num certo lugar dos Evangelhos, ele reclama, dizendo: “As raposas têm os seus covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do homem não tem nem onde reclinar a sua cabeça” (Mateus 8.20).
E, finalmente, no fim de sua vida ele foi humilhado, desprezado e colocado numa cruz como um criminoso, como um marginal, como um bandido. Parecia que ele estava sozinho, que até o próprio Deus o havia abandonado. Por isso, como que desesperado, ele clama no alto da cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mateus 27.46).
Mas Deus não o havia desamparado. Tudo o que estava acontecendo com ele estava nos planos de Deus: desde o seu humilde nascimento, até a sua morte na cruz. Isso tudo havia sido predito pelos profetas. Esse era o plano de Deus para salvar o mundo.
O profeta Isaías, por exemplo, depois de descrever em minúcias o seu sofrimento e morte no capítulo 53 do seu livro, conclui dizendo: “Quando ele [Jesus] olhou para trás e viu o fruto do seu trabalho, ele ficou satisfeito”.
E em Filipenses 2 o apóstolo Paulo diz: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.5-11).
Assim também na nossa vida, muitas vezes sofremos grandes decepções. Nem tudo acontece como planejamos. Como aquelas três árvores, planejamos tantas coisas, queremos fazer isso e aquilo. Depois, com o passar do tempo, vemos que tudo parece ter dado o contrário, nada daquilo que planejamos deu certo.
Isso acontece por duas razões. Primeiro, porque nós somos muito imediatistas. Só olhamos para a ponta do nariz e não procuramos ver o futuro, o que vem depois.
Segundo, porque nós não incluímos a Deus nos nossos planos. Ignoramos a vontade de Deus, que muitas vezes muda os nossos planos para nos fazer felizes para sempre.
Nós estamos nas mãos de Deus. Nada acontece por acaso. Quando nascemos, Deus já estabelece o tempo que vamos viver aqui na terra. Diz o salmista no Salmo 139: “No teu livro foram escritos todos os dias da minha vida, cada um deles escrito e determinado quando nem um deles havia ainda”.
Se vivermos de acordo com a vontade de Deus e usarmos de responsabilidade, Deus vai conduzindo a nossa vida de tal modo, que no fim tudo vai acontecer conforme ele determinou.
Jesus, em Mateus 10, ele diz que nenhum pardal, por mais insignificante que seja, morre antes da hora e que até os fios de cabelos da nossa cabeça estão contados, e que eles só caem quando Deus o permitir. E ele pergunta dizendo: “Será que vocês não valem muito mais do que os pardais?”.
Se Jesus tivesse se revoltado contra Deus e não quisesse se submeter a sua vontade, ele não teria sido o Salvador do mundo. Mas ele soube dizer: “Não se faça a minha, mas sim a tua vontade”.
Não é errado fazer planos, orar que Deus abençoe a nossa vida e querer ser feliz. O próprio Deus fez planos. Quando, por exemplo, Deus criou o mundo, ele primeiro planejou tudo. Ele poderia ter criado o mundo num só dia. Mas para mostrar que ele é organizado, ele criou o mundo em seis dias.
Deus também planejou a nossa salvação. Ele poderia ter enviado o Salvador Jesus logo que os homens caíram em pecado. Mas ele não o fez.
Jesus, segundo o plano de Deus, só viria ao mundo 4000 anos depois. Ele nasceu na cidade de Belém, segundo o plano de Deus. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, tudo segundo o plano de Deus.
E, segundo o plano de Deus, Jesus um dia voltará. Isso vai acontecer quando o Evangelho for pregado em todo mundo. Então virá o fim.
Ele não virá mais como um bebê indefeso, mas em glória e majestade. Virá para julgar os vivos e os mortos, quando “ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10,11).
Seguindo o exemplo de Deus, também nós podemos planejar. Podemos planejar o que queremos ser, podemos planejar o que queremos fazer ou deixar de fazer.
Errado é não incluir a Deus em nossos planos, é querer obrigar Deus a fazer sempre a nossa vontade e não vontade dele.
O apóstolo Tiago, por exemplo, nos diz: “Agora escutem, vocês que dizem: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos fazendo negócios e ganhando muito dinheiro! Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são apenas como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. O que vocês deveriam dizer é isto: Se Deus quiser, estaremos vivos e faremos isso ou aquilo” (Tiago 4.13-15).
Além de incluir Deus nos nossos planos, devemos ainda nos submeter à vontade de Deus, dizendo sempre, como nos ensinou o Salvador Jesus: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.
Deus sempre deseja o nosso bem. Ele sabe o que é melhor para nós. Às vezes planejamos alguma coisa, depois descobrimos que isso não é bom para nós.
Além disso, Deus usa tudo o que nos acontece para o nosso bem. Até as coisas aparentemente más.
Aquelas três árvores planejaram uma coisa. Os seus planos se cumpriram, mas não exatamente como elas planejaram. Diz o rei Salomão em Provérbios 16: “O homem faz planos, mas Deus traça os seus caminhos”. Em outras palavras: o homem planeja e Deus maneja. É como diz um ditado popular, já mencionado: “Deus escreve certo por linhas tortas”. 
Por isso, ao fazermos qualquer plano, pensemos sempre em Deus. Peçamos a sua orientação, na certeza de que Deus fará com que todas as coisas que nos acontecem cooperem para o nosso bem.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil

sábado, 21 de agosto de 2010

FALSAS INTERPRETAÇÕES DO LIVRO DE APOCALIPSE

O livro de Apocalipse tem sido infelizmente alvo de muitas interpretações errôneas, provocando ensinamentos que não concordam com o restante da Bíblia. A seguir seguem alguns exemplos dessas falsas interpretações, mostrando as suas falhas.
Princípios da hermenêutica. A Bíblia é uma unidade. Não pode haver contradição. Ela se interpreta a si mesma. Passagens mais difíceis devem ser entendidas à luz de passagens mais claras. Especialmente ao se tratar de livros proféticos, deve-se tomar muito cuidado, pois usam uma linguagem figurada, cheia de símbolos.
Interpretação linear. Muitos acham que o livro de Apocalipse segue uma linha cronológica, que cada acontecimento representa uma época. Se assim fosse teríamos cinco fins do mundo, três juízos finais, três grupos de salvos, três babilônias, três armagedons e três novos céus e nova terra.
Os que assim pensam desconhecem algumas características da profecia, que são: repetir o mesmo assunto sob outro ângulo (recapitulação), usar imagens fortes para impressionar a mente (dramatização) e usar como pano de fundo um acontecimento para falar de outro que com ele se assemelha (background).
Marca da besta. Muitos acham que é um número literal, que um dia muitos vão aparecer com uma marca na testa, e quem não a tiver não pode comprar e nem vender.
Quem acha que essa marca é literal, deve também acreditar que o selo de Deus na testa é também uma coisa literal, visível aos olhos humanos (Ap 9.4).
O número 666 é simbólico, representa a absoluta imperfeição. É sete menos um. Como sete é o número da perfeição, do eleito de Deus (4 + 3), seis é o número da imperfeição. É alguém que não conseguiu chegar a sete, por faltar-lhe Cristo no coração. O selo de Deus é o Espírito Santo que a pessoa recebe no momento da fé (Ef 1.13,14; 4.30; 2Co 1.22; Ap 9.4).
As duas testemunhas. Muitos acham que Moisés e Elias vão voltar a terra para pregar o evangelho, o que pressupõe que eles vão passar pela morte uma segunda vez e que os mortos vão pregar o evangelho, o que contraria aquilo que a Bíblia diz em Hb 9.27; Lc 16.31; Rm 10.17. Eles cometem o mesmo erro dos judeus, que esperavam a vinda de Elias novamente em carne; e Jesus lhes mostra o erro, dizendo-lhes que Elias já tinha vindo e estava entre eles (Mt 17.10-13).
As duas testemunhas representam a igreja em ação aqui no mundo, pregando Lei e Evangelho (Ap 11.3-6). Há aqui uma alusão clara a Moisés e Elias: Moisés representando a Lei e Elias os profetas, ou seja, o Evangelho.
Armagedom. Armagedom é para muitos um acontecimento que terá lugar no monte Megido, em que os cristãos de todo mundo, liderados por Cristo, vão lutar contra os inimigos do evangelho, comandados pela besta e o falso profeta, que ficam cuspindo sapos de sua boca a fim de amedrontar os homens.
Nesta batalha os inimigos serão mortos pelo exército de Cristo, cujo sangue escorre até o freio dos cavalos, numa extensão de trezentos quilômetros. Estes corpos ficarão estirados no chão, servindo de comida para as aves dos céus.
Esta idéia, porém, tem alguns inconvenientes: 1) Deus vai ter que fabricar este monte, pois tal lugar não existe; 2) O povo de Deus vai ter que se deslocar para a Palestina e pegar em armas para defender o evangelho, o que contraria as Sagradas Escrituras (Ef 6.11-13,17; Mt 26.52).
Armagedom é uma guerra espiritual, em que os inimigos de Cristo, comandados pela besta e o falso profeta, vão se unir para destruir a igreja. Mas antes que isso aconteça, Deus intervém, colocando fim no atual sistema de coisas. É a mesma batalha que encontramos no capítulo 6 (Sexto Selo), no capítulo 9 (Sexta Trombeta), no capítulo 19 (Cristus Victor) e no capítulo 20 (Gogue e Magogue).
É uma maneira simbólica para se falar do Juízo Final, que, para os inimigos de Cristo será um dia de vingança (Ap 6.12-17). É a vindima de Ap 14.17-21, onde fala do lagar da cólera de Deus, em que o sangue dos inimigos de Cristo corre até o freio dos cavalos, numa extensão de trezentos quilômetros.
Os reis da terra, liderados pela besta, são os governos do mundo (dez chifres, dez dedos), que perseguem a igreja ou adotam filosofias anticristãs, como o marxismo, o comunismo, o islamismo, o budismo, o xintoísmo e o espiritismo.
Os sapos expelidos pela boca do dragão, da besta e do falso profeta (Ap 16.13,14) representam os falsos profetas que vão sair pelo mundo afora para enganar o povo com os seus falsos ensinamentos, operando grandes sinais e prodígios. A sua atuação será tão intensa que obrigará Deus a apressar a vinda de Cristo, para que os próprios eleitos não se percam (Mt 24.22-24).
Nesta batalha não haverá derramamento de sangue. A espada que sai da boca de Cristo é a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, também chamada de o sopro da sua boca (2 Ts 2.8). As aves, comendo a carne das vítimas, representam os demônios simbolicamente devorando os condenados no inferno (Ap 19.17,18). No livro do profeta Isaías, numa linguagem figurada, esses corpos ficam estirados no chão, queimando no fogo, numa alusão clara ao fogo do inferno (Is 66.24; Mc 9.42-48).
O anticristo é a personificação dos falsos profetas e falsos cristos, que enganam o mundo com falsos ensinamentos, obrigando Cristo a abreviar a sua volta. Nota-se que Cristo e os apóstolos, ao falarem da besta e do falso profeta, o fazem no plural, como os reis da terra e falsos cristos, o que sugere uma união de forças, sendo as duas bestas apenas os seus representantes.
Milênio. Segundo alguns, o milênio é um período de paz que vai anteceder a vinda de Cristo, em que o lobo vai morar com o cordeiro e todo o Israel será salvo.
O milênio é um ensino materialista, que pressupõe que os israelitas mortos vão ressuscitar e ter uma segunda chance, o que contraria as Escrituras (Hb 9.27). Pressupõe também que Cristo virá um dia governar pessoalmente este mundo, o que contraria o que o próprio Cristo disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36).
O milênio material não tem lugar nas Escrituras. Milênio é o tempo da graça, da igreja de Deus aqui na terra no período do Novo Testamento. Com a vinda de Cristo o mundo acaba, dando lugar ao novo céu e a nova terra (Is 11.4-9; 2 Ts 1.7-9; 2 Pe 3.10-13; Ap 21.1-8).
O acorrentamento de Satanás é uma maneira simbólica de se falar que o poder de Satanás foi limitado. Começou com o ministério público de Cristo (Lc 11.20-22), culminando com a sua morte na cruz (Cl 2.14,15; Ap 12.7-9; Jo 12.31-33; Hb 2.14,15; 1 Pe 3.18,19).
A primeira ressurreição é a ressurreição espiritual, que ocorre na conversão (Cl 2.12,13; 3.1-4; Ef 2.1,5,6; Jo 5.24,25). A segunda ressurreição é a ressurreição do corpo para a vida eterna, que ocorre na volta de Cristo (Jo 5.28,29). A segunda morte é a condenação eterna (Ap 20.10,14). Assim: Quem não fizer parte da primeira ressurreição (conversão), também não fará parte da segunda (vida eterna).

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DESCONTENTAMENTO


Havia um homem no Irã que se chamava Ali. Ali era um homem muito rico: tinha uma grande fazenda, uma bela esposa e cinco lindos filhos. Ele era um homem feliz. Ele próprio costumava dizer: “Se uma pessoa tem esposa, filhos, saúde e dinheiro, ela é feliz”.
Ali continuou feliz até o dia em que um viajante veio visitá-lo e começou a falar em diamantes. Ali nunca tinha ouvido falar em diamantes, mas ficou encantado quando o viajante comentou: “Eles são as coisas mais lidas do mundo. O seu brilho é maior do que um milhão de sóis juntos”.
De repente Ali passou a sentir-se meio descontente. Aquilo que ele possuía não mais lhe satisfazia. Perguntou então ao viajante onde ele poderia encontrá-los. E o viajante respondeu: “Dizem que é possível achá-los em qualquer parte do mundo. Procure um riacho de águas transparente correndo sobre areia branca, em região montanhosa, e ali você achará diamantes”.
Ali então tomou uma decisão: vendeu a fazenda, deixou a esposa e se lançou em busca de diamantes.
Viajou pela Palestina, depois ao longo do rio Nilo, entrando a seguir na Espanha. Ele procurava areias brancas, montanhas altas e águas transparentes. Mas nada de encontrar diamantes. Por fim, cansado, sem dinheiro e sem amigos, num acesso de desespero, lançou-se no mar e morreu.
Nesse meio tempo, enquanto Ali procurava desesperadamente um diamante, o homem que adquirira a sua fazenda, achava, junto ao rio, uma bonita pedra; sem saber, no entanto, o que era.
Um dia apareceu novamente o viajante na fazenda. Vendo aquela pedra, perguntou ao novo proprietário onde o tinha encontrado. E o fazendeiro então contou que foi junto às águas do rio, onde todos os dias ele levava os seus jumentos a beber água.
Os dois correram para lá, cavaram um pouco e acharam mais diamantes. Esse achado se transformou na maior mina de diamantes do mundo: a mina de diamantes Golconda.
A história acima é verdadeira e contém uma grande lição. Ali era feliz e tinha tudo para continuar sendo feliz. Mas o desejo de possuir diamantes o levou ao descontentamento e à infelicidade. Gastou a vida em busca daquilo que já possuía.
O descontentamento, disse alguém, é o câncer da humanidade. Ele destrói todo o prazer de viver, levando a pessoa à infelicidade. Quantas pessoas têm tudo para serem felizes, mas como Ali, vivem descontentes, em busca daquilo que já têm.
Há pessoas que têm uma bela família. Vivem felizes em companhia da esposa e dos filhos. Mas, de repente, acham que não são felizes. Intrometem-se na família alheia, tomando a esposa e o marido dos outros. Depois, então se dão conta do seu erro: de que eram felizes e não sabiam.
Outras pessoas têm um bom emprego, uma boa casa e um bom nome. Mas não estão felizes. Acham que mudando de vida ou de lugar, vão ser felizes. Depois descobrem o erro que cometeram.
Ainda há pessoas que têm comida, roupa para vestir e saúde. Mas não são felizes, porque ficam olhando para a felicidade dos outros, achando que pelo fato dos outros terem isso ou aquilo, são mais felizes do que elas.
Procuram então possuir aquilo que os outros têm para serem felizes. Trabalham, ou melhor: se arrebentam, jogam na loteria, usam de desonestidade. Enfim: fazem das tripas o coração. E nunca são felizes.
Mesmo muitas daquelas pessoas que têm grandes bens, como terra, comércio, casas, não são felizes. Por isso compram terra e mais terras, casa e mais casas para serem felizes. Por fim não conseguem mais dormir. E, muitos, como Ali, acabam se suicidando.
De fato: o descontentamento é um grande mal, que pode levar muitas pessoas à infelicidade. Por isso diz o autor da carta aos Hebreus: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca, jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5,6)
E o apóstolo Paulo acrescenta, dizendo aos seus seguidores: “Contentai-vos com o que tendes. Pois grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Pois nada temos trazido ao mundo e nada podemos levar dele: tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6.6-8).
O apóstolo não apenas disse as palavras acima, mas ainda experimentou na sua vida o que é o contentamento. Numa certa ocasião ele disse: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado. De tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura, como de fome, assim de abundância, como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).
A verdadeira felicidade de uma pessoa não consiste em ter muita riqueza, muito luxo e muito conforto. Há pessoas que tem tudo isso, e não são felizes. Vivem tomando calmantes para poderem dormir e ingerindo drogas para esqueceram os seus problemas. Os seus lares são uns verdadeiros infernos, em que um briga com o outro.
De outro lado, há pessoas que nem casa elas não têm: vivem de aluguel. Não têm nenhum luxo e nem conforto. O seu dinheiro mal dá para comprar comida. Mas elas são felizes. A família é unida, os filhos respeitam os pais e o casal se ama. É que elas têm Jesus no coração.
E isso faz uma diferença enorme. Pois em lugar de ficar tomando calmantes e ingerir drogas para esquecerem os seus problemas, elas vão à igreja onde recebem os conselhos da Palavra de Deus, que as tranqüiliza e consola.
Não é pecado ser rico, ter conforto e viver uma vida boa. Errado é gastar mais do que se pode gastar, é fazer dessas coisas a razão de sua felicidade.
Há, por exemplo, pessoas, que estão tão endividadas, que não conseguem nem dinheiro para comprar comida. A sua casa é um luxo, mas a sua mesa é uma miséria. O pior de tudo é que elas nunca têm dinheiro para a igreja, pois nunca sobra nada. E eu pergunto: como uma pessoa assim pode ser feliz, que vive atolada em dívida, sempre com a corda no pescoço?
Aprendamos a lição do contentamento. Não façamos como muitas pessoas estão fazendo, que arruínam a sua felicidade por causa do seu descontentamento. Mas façamos com aquelas pessoas, que aprenderam a viver contente em toda e qualquer situação.
Lembremos-nos sempre de que “nada temos trazido para o mundo e nem coisa alguma podemos levar dele: tendo o sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Timóteo 6.8).
Deus é o nosso Pai. Ele, além de nos dar o sustento de cada dia, nos deu o que de mais precioso pode existir: o seu Filho Jesus. Jesus, com a sua vida, morte e ressurreição nos conquistou um lugar no céu, onde há alegrias eternas.
Ele espera apenas que o aceitemos como o nosso Salvador, que creiamos nele e andemos nos seus caminhos para que tenhamos vida em abundância.
Contentemos-nos, pois, com o que temos, sabendo que Deus nos garante paz e segurança aqui na terra e, no futuro, a vida eterna que ele, em sua graça, nos promete dar.
Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil