quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DUAS VIDAS, DUAS ESCOLHAS E DOIS DESTINOS

Havia certa vez um rei muito alegre e carinhoso, que procurava governar seu país da melhor maneira possível. Tinha ele na sua coorte um bobo, a quem muito amava. Quando o rei ficava preocupado com os problemas do estado, o pequeno bobo sempre conseguia fazer com que ele risse e se alegrasse um pouco.
Um dia, porém, já cansado com as brincadeiras do bobinho, o rei teve uma idéia. Chamou o bobo para o seu quarto e lhe entregou um bastão de ouro, dizendo: ”Meu querido bobinho, quando você encontrar um bobo mais bobo que você, você deve dar-lhe de presente este bastão de ouro”.
E assim o pequeno bobo saiu pelo mundo afora, à procura de um bobo mais bobo do que ele. Ele andou, andou. Procurou por todos os lugares, e não encontrava. Até que foi chamado de volta para o palácio.
No palácio ele encontrou o rei gravemente enfermo, que o mandou chamar para se despedir dele, dizendo: “Meu querido bobinho, estou de partida para uma jornada muito longa, da qual nunca voltarei”. Ele se referia à sua morte. O pequeno bobo, muito sentido, lhe pergunta: “E vossa alteza está preparado para esta jornada?” “Não, não estou”, respondeu o rei. Então disse o bobinho, meio surpreso: “Nesse caso devo de lhe presentear este bastão de ouro, pois encontrei o bobo mais bobo do que eu!”.
Quantas pessoas, a semelhança desse rei, estão se divertindo por este mundo afora, sem se preocupar com o seu destino eterno, com o encontro que terão com Deus. Estão para, a qualquer momento, fazer uma viagem, de onde nunca voltarão, sem, no entanto, estar preparado. Diz Jesus numa parte dos Evangelhos: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma. E o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12.20).
Nós não sabemos o dia e nem a hora da nossa partida. Por isso devemos estar preparados sempre: preparados para nos encontrar com Deus na eternidade na hora da morte e do Juízo Final.
O Evangelho de Lucas, capítulo 16, traz um dos mais notáveis discursos de Jesus. Jesus fala de duas pessoas, de duas escolhas e de dois destinos. Ele fala de um homem rico e de um homem pobre, de como eles viveram diferentemente aqui na terra e onde cada um foi parar no final da viagem dessa vida.
A história desses dois homens é a história de cada um de nós. Cada um de nós está representado em um desses dois personagens: ou somos o rico que está indo para o inferno, ou somos o pobre que vai para o céu. Não há uma terceira alternativa. Diz Jesus: “Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente”.
O nome do rico não é mencionado. Ele é apenas chamado de rico. Era um homem da alta sociedade, que morava numa casa luxuosa, que possuía muito dinheiro, que se vestia bem e comia do melhor. Era alguém que fazia da sua vida uma festa.
Bem em frente de sua casa se encontrava um outro homem, cujo nome é Lázaro. Lázaro, com o corpo todo coberto de feridas, passava o dia inteiro junto à porta do rico, a espera de comida. Ele catava no lixo o que o rico jogava fora para se alimentar. Era a única coisa que ele podia fazer, já que a sua saúde não lhe permitia trabalhar.
Que boa oportunidade do rico mostrar a sua bondade, de que tinha um bom coração. Mas ele tinha um coração duro, não se importava com ninguém, a não ser consigo mesmo. Os seus cachorros eram mais caridosos do que ele, pois ao menos eles vinham lhe lamber as feridas, a fim de amenizar a sua dor. Mas o rico nem remédio lhe dava.
Porém um dia o mendigo morreu. A morte pôs fim ao seu sofrimento. Não nos é dito o que foi feito com o seu corpo. Provavelmente os empregados do rico deram um jeito nele, enterrando-o numa vala qualquer.
Mas não foi apenas o mendigo que morreu. O rico também teve que passar pela morte. A riqueza não é uma garantia contra a morte. O homem pode ser rico como for, pode ter todo o poder na mão e dispor dos melhores médicos, que ele morre assim mesmo. Não foi assim com Alexandre o Grande, Adolfo Hitler, John Kenedy, Tancredo Neves, Mario Covas, Airton Senna e João Paulo II?
Enquanto que Lázaro, numa vara de bambu, era levado para ser enterrado num buraco qualquer; o rico, com certeza, teve um grande funeral.
Num caixão de primeira, com um belo terno, rodeado de altas personalidades da época; e, ao som de uma marcha fúnebre, desceu à sepultura. E, como sempre, todo mundo lamentando a sua morte, dizendo: “Ele era um homem muito bom. Ele não devia ter morrido. Vamos sentir muito a falta dele”.
Mas a história dos dois não termina aí. Ela continua, pois a vida não termina com a morte. Depois da morte vem a eternidade. Diz Jesus: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e mande a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”.
Assim como na vida os dois tiveram sorte diferentes, assim também na eternidade os seus destinos foram diferentes. Enquanto que Lázaro, que não tinha nada na vida, foi para o céu; o rico, que tinha tudo, foi para o inferno. Por que isso? Será que é pecado ser rico, que o lugar de rico é no inferno?
Não. Não é pecado ser rico. Os ricos também podem ir para o céu. A Bíblia cita vários exemplos de pessoas que foram muito ricos e que, no entanto, foram para o céu, como: Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Salomão, Jó e muitos outros.
A riqueza, no entanto, pode representar um grande perigo para o ser humano. Tanto assim que a Bíblia em vários lugares nos exorta para cuidar-nos com a riqueza. Diz Jesus em Lucas 12.15: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. Pois o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
E o apóstolo Paulo, em 1 Timóteo 6.9,10, acrescenta dizendo: “Os que querem ficar ricos caem em tentações e ciladas, e em muitas concupiscências perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.
Esse foi o problema do homem rico da história que Jesus contou. Ele apenas se preocupou com a riqueza quando estava vivo e se esqueceu da sua alma. Não tinha tempo para Deus, pois os negócios terrenos tiravam todo o tempo dele.
Mesmo que tivesse tempo, ele não se preocupava com ele. Tinha tudo o que precisava para a vida, porque se preocupar com a eternidade, pensava ele.
Em resumo, podemos dizer que o rico não era cristão, não tinha fé no seu coração. Pois se tivesse fé, teria socorrido a Lázaro, dando-lhe comida, remédio e roupa. A fé sempre vem acompanhada de obras, dentre as quais se destacam o amor e a hospitalidade.
Jesus, no dia do Juízo Final, ao julgar o mundo, vai usar as obras como provas da fé. Neste dia, todos aqueles que procederam como o rico, vão ter que ouvir da sua parte: “Apartai-vos de mim, malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer. Tive sede e não me destes de beber. Sendo forasteiro, não me hospedaste. Estando nu, não me vestiste. Achando-me enfermo e não fostes ver-me” (Mateus 25.41-43).
E Lázaro, por que ele foi salvo? Por que ele era pobre? Não. A pobreza não salva ninguém. Muitos pobres já foram para o inferno porque, como o rico, não tiveram fé.
Lázaro foi salvo e está no céu porque tinha fé, porque ele era uma pessoa cristã. O seu próprio nome diz isso, pois Lázaro significa “o Senhor é a minha salvação”.
Como cristão Lázaro carregou com paciência a sua cruz. Não murmurou, até ser levado pelos anjos para o seio de Abraão, onde se encontra até hoje.
A história do rico e Lázaro nos ensina três coisas muito importantes.
Primeiro: o destino de uma pessoa se traça aqui na terra, depois da morte é tarde.
Conforme Jesus, no momento em que Lázaro morreu, ele foi para o céu e o rico para o inferno. Depois, quando o rico pediu a Abraão que lhe mandasse um pouco de água, este lhe respondeu dizendo que isso não era possível, pois um grande abismo os separava, de sorte que os que estavam no céu não podiam ir para o inferno, nem os que estavam no inferno ir para o céu. E isto está de acordo com Hebreus 9.27, que diz: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo”.
Se de fato é assim, como realmente é, preparemo-nos enquanto estamos no mundo para a outra vida, a fim de não irmos também para o inferno.
Em segundo lugar: o inferno existe, e é um lugar horrível. Devemos fazer de tudo para evitá-lo.
A Bíblia fala muito em inferno. E, sempre quando fala dele, ela usa uma linguagem terrível, como: o fogo que nunca se apaga, lugar de trevas e ranger de dentes, tormento eterno e assim por diante.
Na história que Jesus contou, o rico sofria tanto que ele se contentava com uma gota de água, pois estava atormentado em chamas.
Muitas pessoas negam a existência do inferno, afirmando não existir tal lugar. Elas fazem Jesus de mentiroso, pois ele ensinou claramente que o inferno existe. Em vez de negar a existência do inferno, essas pessoas deviam prevenir aos outros para não irem para esse lugar.
Negar a existência do inferno não resolve o problema. É preciso ensinar a verdade sobre o assunto, mesmo que não gostemos desse lugar.
Em terceiro lugar: o que leva muitas pessoas para o inferno é o desprezo para com as coisas de Deus e a excessiva preocupação com a riqueza. Devemos de nos cuidar para não cair nesse erro.
O homem rico foi para o inferno porque desprezou a palavra de Deus, só se preocupando com os bens materiais. Que esse foi o seu problema, vemos na história que Jesus contou.
Quando o rico pediu que Abraão mandasse alguém dentre os mortos para avisar aos seus irmãos para que não viessem também para o inferno, este lhe respondeu: “Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos”. Isto é: eles têm a Bíblia, por que não escutam o que ela diz?
Muita gente não consegue tempo para Deus por causa dos prazeres da vida. Querem aproveitar tudo o que o mundo lhes oferece, e acabam perdendo a sua alma.
É preciso que cuidemos. Temos um corpo, mas temos também uma alma. Se não cuidarmos da nossa alma, alimentando-a espiritualmente, vamos acabar indo, como aquele rico, de corpo e alma para o inferno.
Por isso, cuidemo-nos um pouco mais, pois o inferno não é brincadeira. Muitas já foram para lá, e outros tantos estão a caminho dele. Não deixemos que os bens materiais e os prazeres da vida nos atrapalhem espiritualmente. Coloquemos as coisas no divido lugar: em primeiro lugar a nossa alma, depois as coisas da vida.
Se assim o fizermos, preparando-nos espiritualmente, em lugar de inferno, teremos o céu. E, às portas da eternidade, Jesus nos dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil


O SENHOR É O MEU PASTOR

Certa vez um conferencista muito famoso foi assistir a um culto no domingo de manhã em uma igreja na Escócia. Como se tratasse de um grande orador, foi-lhe pedido que recitasse o Salmo 23. Ele concordou. Recitou com muita graça e perfeição o salmo. A congregação ficou impressionada com a sua declamação.
Em seguida alguém da platéia pediu que o pastor recitasse o mesmo salmo. Humilde, mas sinceramente, ele o fez com grande sentimento. Quando terminou, a congregação tinha lágrimas nos olhos de emoção.
O culto terminou. Um amigo do conferencista veio ter com ele e perguntou-lhe se havia notado o efeito diferente que as duas recitações tinham tido sobre o povo. Por um momento o orador guardou silêncio. Depois replicou com um alto senso de humildade: “Sim, eu notei. É que eu conheço o salmo, mas ele conhece o pastor”.
O Salmo 23 é o salmo mais bonito, conhecido e lido por todos. Quantas pessoas, no leito da morte, já não recitaram este salmo? Outras pessoas, em momentos de dificuldades, tribulações e angústias encontraram neste salmo consolo, conforto e ânimo.
O Salmo 23 é tão consolador e confortante porque nasceu da experiência do próprio autor. O salmista Davi neste salmo conta a sua própria experiência. Ele no Salmo 23 retrata a sua própria vida.
Assim como as ovelhas estão sujeitas a muitos perigos, necessitando de alguém que as cuide, assim também ele, Davi, precisava de um bom pastor que tomasse conta de sua vida nesse mundo de perigos, dificuldades e tentações. Portanto, para entendermos bem o Salmo 23 é preciso que conheçamos alguma coisa sobre as ovelhas.
A ovelha é um animal manso, indefeso e que necessita de muitos cuidados da parte do pastor. Especialmente nos tempos bíblicos, em que foi escrito o salmo, existiam muitos ladrões, assaltantes e animais ferozes. O pastor tinha que ficar em constante alerta contra os perigos. Além disso, era o pastor que levava as ovelhas para o pasto e depois as reconduzia de volta.
Também nós nesta vida enfrentamos muitas dificuldades, perigos e obstáculos. Precisamos muito de um bom Pastor que nos ajude. E Deus está sempre pronto para nos ajudar e defender contra todos os perigos. Ele não nos deixa faltar nada: dele vem o sustento e a força para a vida. Por isso podemos dizer: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”.
Um dos trabalhos do pastor de ovelhas era procurar sempre a melhor pastagem para as suas ovelhas, como também água limpa e fresca. E os pastores faziam isso com muito cuidado, porque sabiam que disso dependia o seu sucesso como pastor.
Também o nosso bom Pastor Jesus procura sempre o melhor para nós. Deus nos ama e por isso procura sempre o nosso bem. Tudo o que precisa ser feito por nós, ele o faz.
Embora o pastor de ovelhas sempre deseje o bem de suas ovelhas, ele, no entanto, tinha que fazer algumas coisas com elas que elas não gostavam.
Quando, por exemplo, elas estavam com bicheira, era preciso colocar remédio na ferida, o que ardia muito. Outras vezes ele tinha que lhes aplicar uma injeção ou ainda fazer uma pequena cirurgia a fim de abrir um tumor.
Também nós como cristãos passamos por coisas que não gostamos e nem entendemos. Algumas vezes são problemas financeiros, outras vezes é um acidente, doença ou ainda a morte. Mas Deus sabe o que é melhor para nós. Diz ele em sua Palavra, em Isaías 29: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito: pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.
Deus nunca deseja o mal de seus filhos, mas sempre o bem. Por isso doenças, dificuldades nos negócios, acidentes e morte, não devem ser considerados pelo cristão como um castigo, mas sim como uma bênção. É o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 8.28: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”.
Mas o pastor de ovelhas tinha que fazer coisas ainda piores do que aplicar injeção e rasgar tumores: ele tinha que às vezes quebrar a perna das ovelhas rebeldes e fujonas para que ficassem junto com as outras ovelhas.
Um pastor conta que ele tinha certa vez uma ovelha que não lhe obedecia: sempre passava na cerca, fugia e não queria ficar junto com as outras ovelhas. Ele fez de tudo para segurá-la: colocou-a num pasto melhor, mas nada adiantou.
E, a fim de que ela não estragasse as outras ovelhas, o pastor teve que fazer uma coisa que ele não gostava, mas que foi obrigado a fazer: teve que quebrar uma das pernas da ovelha. E depois que ele quebrou a perna dela, ela nunca mais saiu do pasto e nem se afastou das outras ovelhas.
Quantas vezes nós como cristãos também nos afastamos da comunhão com Deus, nos tornamos rebeldes, fugimos e não mais o obedecemos. Deus nos chama de volta pelo Evangelho, faz de tudo para não nos perder. Mas quando ele vê que não tem jeito, ele nos joga na cama, permite acontecer um acidente na nossa vida, um fracasso financeiro, a fim de nos trazer de volta para a Cristo. É o que nós lemos em Hebreus 12: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele é reprovado. Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo a quem recebe como filho”.
Nesse sentido a própria morte do cristão pode ser considerada uma bênção: Deus o está chamando ao descanso eterno antes que ele se desvie ou sofre mais sobre a terra. Deus conhece a vida e o fim de cada um de nós. Ele sabe o que pode acontecer quando uma pessoa viver mais tempo sobre a terra.
Por isso, antes que ele se desvie ou passe por grandes sofrimentos, Deus o leva para junto de si. Ouçam o que Deus diz em Isaías 57: “Perece o justo e não há que se impressione com isso? E os homens piedosos são arrebatados, sem que alguém considere nesse fato! Pois o justo é levado antes que venha o mal e entra na paz. Descansem nos seus leitos os que andam em retidão”.
Por isso dizemos no Salmo 23: “Ainda que eu ande pelo vele da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”.
Ora, se Deus está conosco e se Deus só deseja o nosso bem, então não precisamos ficar com medo, mesmo quando passamos por momentos difíceis, pois tudo cooperará para o nosso bem.
E, quando as dificuldades da vida forem tão grandes que não podemos mais suportar, fazendo a nossa alma sair do corpo, podemos ter a certeza de que “habitaremos na casa do Senhor para todo o sempre”.
Esse é o Salmo 23. Aqui está o motivo porque os cristãos, nas mais diversas situações, encontram consolo, conforto e ânimo nesse salmo.
Conhece você o bom Pastor? Pode você dizer o mesmo que o salmista Davi: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará?”.
Se a sua resposta for sim, então enfrente a vida com a cabeça erguida, certo de que com a presença do bom Pastor Jesus nada lhe faltará. De que, enquanto estiver aqui neste mundo, neste vale de lágrima, a bondade e a misericórdia do Senhor lhe acompanhará todos os dias da sua vida. E quando a vida terminar, você tem a certeza de que irá habitar com o Senhor para todo o sempre. Amém.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil

OS CAMINHOS DE DEUS

Conta-nos uma lenda oriental que havia certa vez três árvores em uma floresta. Elas conversavam entre si, planejando o que queriam ser quando ficassem adultas.
Uma das árvores disse que, quando crescesse, queria ser transformada num belo palácio. A outra disse que, quando crescesse queria ser transformada em um espaçoso navio, que velejasse pelos mares, carregando reis e príncipes. A terceira árvore disse que queria permanecer na floresta, apontando sempre para Deus, o criador de todas as coisas.
Um dia veio o lenhador e cortou a primeira árvore. Mas, ao invés de ser utilizada em um palácio, a sua madeira foi empregada na construção de um curral de gado, onde nasceu o Menino Jesus.
As pranchas de madeira da segunda árvore, que queria ser um grande navio, foram aproveitadas na armação de um pequeno barco que, singrando docemente ás águas do mar da Galiléia, conduzia o Mestre Jesus, o qual, do seu convés, pregava às multidões.
Finalmente, a terceira árvore, que queria ficar de pé, apontando para Deus, foi convertida em uma cruz, onde foi pregado o Redentor da humanidade. Desde então aquela cruz, instrumento de suplício atroz, vem apontando o amor de Deus aos homens.
Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas. Nem sempre os nossos ideais combinam com a vontade de Deus. Às vezes planejamos uma coisa e Deus, na sua sabedoria, traça outros caminhos para nós.
Entretanto, tudo o que Deus faz, ele visa sempre o nosso bem. Diz ele na sua Palavra: “Porque os meus pensamentos não sãos os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55.8,9).
Se nós formos olhar para a vida de Jesus, parece que tudo deu errado. Primeiro: ele nasceu numa estrebaria, num curral de gado.
Era de se esperar que Jesus nascesse num palácio. Afinal, ele era o Filho de Deus, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Foi por isso que os magos do oriente, quando vieram adorar o Menino Jesus, o procuraram no palácio do rei Herodes em Jerusalém. Mas lá não havia ninguém. O rei Herodes nem sabia do seu nascimento, nem tampouco o povo de Jerusalém.
Depois, no seu ministério, ele foi rejeitado e desprezado. Ele não foi bem aceito pelos homens. Diz o apóstolo João: “Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam” (João 1.11).
Às vezes ele não tinha nem lugar para dormir, para descansar o corpo. Por isso, num certo lugar dos Evangelhos, ele reclama, dizendo: “As raposas têm os seus covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do homem não tem nem onde reclinar a sua cabeça” (Mateus 8.20).
E, finalmente, no fim de sua vida ele foi humilhado, desprezado e colocado numa cruz como um criminoso, como um marginal, como um bandido. Parecia que ele estava sozinho, que até o próprio Deus o havia abandonado. Por isso, como que desesperado, ele clama no alto da cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mateus 27.46).
Mas Deus não o havia desamparado. Tudo o que estava acontecendo com ele estava nos planos de Deus: desde o seu humilde nascimento, até a sua morte na cruz. Isso tudo havia sido predito pelos profetas. Esse era o plano de Deus para salvar o mundo.
O profeta Isaías, por exemplo, depois de descrever em minúcias o seu sofrimento e morte no capítulo 53 do seu livro, conclui dizendo: “Quando ele [Jesus] olhou para trás e viu o fruto do seu trabalho, ele ficou satisfeito”.
E em Filipenses 2 o apóstolo Paulo diz: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.5-11).
Assim também na nossa vida, muitas vezes sofremos grandes decepções. Nem tudo acontece como planejamos. Como aquelas três árvores, planejamos tantas coisas, queremos fazer isso e aquilo. Depois, com o passar do tempo, vemos que tudo parece ter dado o contrário, nada daquilo que planejamos deu certo.
Isso acontece por duas razões. Primeiro, porque nós somos muito imediatistas. Só olhamos para a ponta do nariz e não procuramos ver o futuro, o que vem depois.
Segundo, porque nós não incluímos a Deus nos nossos planos. Ignoramos a vontade de Deus, que muitas vezes muda os nossos planos para nos fazer felizes para sempre.
Nós estamos nas mãos de Deus. Nada acontece por acaso. Quando nascemos, Deus já estabelece o tempo que vamos viver aqui na terra. Diz o salmista no Salmo 139: “No teu livro foram escritos todos os dias da minha vida, cada um deles escrito e determinado quando nem um deles havia ainda”.
Se vivermos de acordo com a vontade de Deus e usarmos de responsabilidade, Deus vai conduzindo a nossa vida de tal modo, que no fim tudo vai acontecer conforme ele determinou.
Jesus, em Mateus 10, ele diz que nenhum pardal, por mais insignificante que seja, morre antes da hora e que até os fios de cabelos da nossa cabeça estão contados, e que eles só caem quando Deus o permitir. E ele pergunta dizendo: “Será que vocês não valem muito mais do que os pardais?”.
Se Jesus tivesse se revoltado contra Deus e não quisesse se submeter a sua vontade, ele não teria sido o Salvador do mundo. Mas ele soube dizer: “Não se faça a minha, mas sim a tua vontade”.
Não é errado fazer planos, orar que Deus abençoe a nossa vida e querer ser feliz. O próprio Deus fez planos. Quando, por exemplo, Deus criou o mundo, ele primeiro planejou tudo. Ele poderia ter criado o mundo num só dia. Mas para mostrar que ele é organizado, ele criou o mundo em seis dias.
Deus também planejou a nossa salvação. Ele poderia ter enviado o Salvador Jesus logo que os homens caíram em pecado. Mas ele não o fez.
Jesus, segundo o plano de Deus, só viria ao mundo 4000 anos depois. Ele nasceu na cidade de Belém, segundo o plano de Deus. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, tudo segundo o plano de Deus.
E, segundo o plano de Deus, Jesus um dia voltará. Isso vai acontecer quando o Evangelho for pregado em todo mundo. Então virá o fim.
Ele não virá mais como um bebê indefeso, mas em glória e majestade. Virá para julgar os vivos e os mortos, quando “ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10,11).
Seguindo o exemplo de Deus, também nós podemos planejar. Podemos planejar o que queremos ser, podemos planejar o que queremos fazer ou deixar de fazer.
Errado é não incluir a Deus em nossos planos, é querer obrigar Deus a fazer sempre a nossa vontade e não vontade dele.
O apóstolo Tiago, por exemplo, nos diz: “Agora escutem, vocês que dizem: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos fazendo negócios e ganhando muito dinheiro! Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são apenas como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. O que vocês deveriam dizer é isto: Se Deus quiser, estaremos vivos e faremos isso ou aquilo” (Tiago 4.13-15).
Além de incluir Deus nos nossos planos, devemos ainda nos submeter à vontade de Deus, dizendo sempre, como nos ensinou o Salvador Jesus: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.
Deus sempre deseja o nosso bem. Ele sabe o que é melhor para nós. Às vezes planejamos alguma coisa, depois descobrimos que isso não é bom para nós.
Além disso, Deus usa tudo o que nos acontece para o nosso bem. Até as coisas aparentemente más.
Aquelas três árvores planejaram uma coisa. Os seus planos se cumpriram, mas não exatamente como elas planejaram. Diz o rei Salomão em Provérbios 16: “O homem faz planos, mas Deus traça os seus caminhos”. Em outras palavras: o homem planeja e Deus maneja. É como diz um ditado popular, já mencionado: “Deus escreve certo por linhas tortas”. 
Por isso, ao fazermos qualquer plano, pensemos sempre em Deus. Peçamos a sua orientação, na certeza de que Deus fará com que todas as coisas que nos acontecem cooperem para o nosso bem.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil