sábado, 11 de dezembro de 2010

A COROA DE ADVENTO


No ano de 1755 um grupo de pioneiros da Pensilvânia, Estados Unidos, estava sendo cercado por várias tribos de índios. Os pioneiros decidiram se reunir numa pequena vila. De dia podiam ver os índios ajuntando-se de várias direções. E à noite podiam observar os sinais de fogo, ouvir os gritos de guerra e as batidas dos tambores. A situação era desesperadora.
Então veio o Natal. Cedo de manhã, homens, mulheres e crianças se reuniram na vila e começaram a cantar hinos de Natal. Ao terminar de cantar, olharam e, para a sua surpresa, viram que os índios estavam se dispersando, embrenhando-se nas matas.
Mais tarde, ao se tornarem amigos dos índios, estes explicaram porque fizeram isso. Enquanto os chefes estavam reunidos em conselho de guerra, os ventos traziam aos seus ouvidos o som doce e alegre dos cânticos de Natal. A música espantara a hostilidade dos seus corações. Foi assim que aqueles pioneiros da Pensilvânia foram salvos do massacre. Aquele Natal foi especialmente alegre e significativo para eles.
Este Natal pode ser significativo e alegre também para você, independentemente da situação em que você se encontrar, se você cantar com sinceridade os hinos de Natal e crer na mensagem que os anjos anunciaram aos pastores das campinas de Belém: “Não temais: eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo. É que hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo o Senhor”.
Advento é tempo de alegria. A razão dessa alegria é Cristo. Pois Advento significa vinda, chegada.
Os quatro domingos de Advento lembram os quatro mil anos, nos quais o povo de Deus esperou pelo nascimento do Salvador Jesus.
A primeira promessa da vinda de um Salvador foi dada por Deus a Adão e Eva, logo após a queda deles em pecado. A promessa foi repetida muitas vezes aos patriarcas e profetas.
Desde Adão e Eva, muitos fiéis esperaram ansiosamente pelo cumprimento desta promessa de Deus, até que finalmente, “o tempo se cumpriu”, e o Salvador Jesus nasceu em Belém da Judéia.
Hoje, olhamos para trás e observamos como o povo de Deus do passado aguardava a vinda de Jesus. Eles meditavam nas misteriosas profecias, buscando nelas consolo, orientação e forças para a vida.
Deles queremos aprender a confiar na Palavra de Deus, a lutar e esperar, pois também nós vivemos em tempo de espera. Esperamos a segunda vinda de Cristo.
Em breve Jesus voltará, não mais humilde, mas em poder e glória, com todos os santos anjos, para julgar vivos e mortos. Então ele criará novo céu e nova terra, para habitar com os fiéis eternamente.
No tempo de Advento, muitas igrejas estão enfeitadas com a coroa de Advento. Este símbolo ainda não tem muita história na igreja cristã. Ele se firmou como símbolo de Advento na Europa, após a primeira guerra mundial. Mas, sua simbologia é muito significativa. Vejamos.
A coroa. A coroa simboliza vitória e poder. Coroas são usadas para festejar vitórias. Soldados e atletas vencedores são homenageados com coroas. Os cristãos passaram a usar coroas também em seus atos fúnebres, para declarar: “Nossos irmãos falecidos são vencedores, pela graça de Cristo. As coroas expressam a esperança e certeza da ressurreição”.
A coroa de Advento quer anunciar a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e Satanás. Seus ramos verdes falam da nova esperança, da vida e da alegria que aguarda os fiéis na eternidade, pois cremos na “remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”.
A coroa de Advento tem o formato de um anel, que lembra a aliança de amor. Uma aliança que envolve os que nela participam.
A coroa de Advento fala do amor de Deus em Cristo, da nova aliança de amor com aqueles que nele crêem. Este amor penetra os corações e concede vida nova.
Pela fé em Cristo somos novas criaturas. Isto se revela no dia a dia e perpassa a vida familiar, profissional, social, nossas alegrias e tristezas, a tal ponto que também a coroa de espinhos, que Jesus carregou e pela qual santificou nossos sofrimentos. Sabemos “que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que temem e amam a Deus”.
As velas. A coroa de Advento é enfeitada com quatro velas e alguns colocam uma vela no centro da coroa.
As quatro velas lembram os quatro mil anos em que o povo de Deus esperou pelo nascimento do Salvador Jesus.
Cada vela quer simbolizar e anunciar um conteúdo bem específico. Jesus a luz do mundo: que veio para libertar, trazer a paz e voltará para julgar vivos e mortos. Ele enche nossa alma de alegria, paz e esperança.
A primeira vela. A primeira vela, acesa no primeiro domingo de Advento, anuncia que Jesus é a luz do mundo.
O mundo jaz nas trevas do pecado. Cristo, porém, veio nos libertar do pecado e trazer luz aos nossos corações. Diz o evangelista Mateus, referindo-se a Jesus: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz”.
A segunda vela. A segunda vela, acesa no segundo domingo de Advento, lembra a grande libertação que Jesus trouxe.
Jesus veio para libertar. Esta libertação é a libertação de nossos verdadeiros inimigos. O inimigo número um é o pecado. O inimigo número dois é a morte. O terceiro inimigo é Satanás. Diz a palavra de Deus: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
A terceira vela. A terceira vela, acesa no terceiro domingo de Advento, lembra que Jesus veio como príncipe da paz.
Sim, Jesus é o Príncipe da Paz. Ele nos reconciliou com Deus. Nele temos perdão dos pecados, e pelo perdão, paz com Deus. Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.
A quarta vela. A quarta vela, acesa no quarto domingo de Natal, anuncia a grande alegria natalina, de que Jesus é Rei dos reis.
Na primeira vinda, Jesus veio humilde. Ele se humilhou profundamente. Nasceu pobre numa estrebaria em Belém, foi desprezado e morto pelos homens.
Em breve Jesus voltará. Não mais em humilhação, mas em grande glória e majestade, com todos os seus santos anjos, para julgar vivos e mortos.
A vela de Natal. Após o quarto domingo de Advento, vem o dia 25 de dezembro, que é Natal. A vela do meio é acesa. Ela simboliza o nascimento de Jesus, o Príncipe da Paz. O profeta Isaías profetizou a respeito do Natal: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.
Por isso os anjos anunciaram aos pastores nos campos de Belém: “Não temais: eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo o Senhor”.
Eis a mensagem da coroa de Advento: Cristo é Rei dos reis. Ele venceu nossos inimigos: o pecado, a morte e Satanás. E, todo o que confia na palavra de Deus, tem o que estas palavras lhe oferecem: remissão dos pecados, vida e salvação.
Em breve Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos e receber os seus fiéis no reino da glória, no novo céu e na nova terra.
Que esta mensagem fique gravada no fundo do nosso coração e nos firme na esperança da vinda de Cristo para o grande e derradeiro dia de sua vinda em glória. Por isso a Bíblia termina com a mensagem de Advento: “Certamente venho sem demora. Conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa”.  E a igreja toda responde: “Amém. Vem, Senhor Jesus”. Amém.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

NO NATAL DEUS VEIO MORAR ENTRE NÓS


Havia certa vez um rei muito caridoso. Ele procurava governar o seu país da melhor maneira possível. Porém, apesar de todos os seus esforços, ele não conseguia agradar o povo. Havia muita reclamação entre os seus súditos.
Ele, então, procurou conselho junto aos sábios da corte para saber o que fazer para conseguir agradar o povo. Os sábios se reuniram e chegaram à conclusão que, para o rei entender os anseios do povo e fazer um governo que os agradasse, só haveria uma maneira: ele tinha que descer do trono, se juntar ao povo e se tornar igual a eles.
O rei fez conforme lhe aconselharam. Ele saiu do palácio, se vestiu como um colono e foi morar entre o povo. Ele começou a sentir o que o povo sentia e ouvir as reclamações que o povo tinha a fazer. Ele viu que o que povo queria não era grandes obras, mas sim, estrada, saúde, educação e segurança.  Segundo a lenda, depois de um ano, ele voltou novamente ao palácio e fez um grande governo.
Foi isso que Deus fez na pessoa de Jesus por ocasião do primeiro Natal. Ele assumiu a identidade humana. Ele renunciou ao trono da glória para conquistar o coração dos seres humanos. Diz o apóstolo Paulo na carta aos Filipenses: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2.5-8).
E o autor da carta aos Hebreus escreve, dizendo: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; antes, ele [Jesus] foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Aproximemo-nos, portanto, confiantemente junto ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hebreus 4.15-16).
No Natal nós nos lembramos da humanação de Jesus, quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nesse dia o rei Jesus deixou o trono da glória para se fazer um ser humano como qualquer um de nós, a fim de cumprir a lei em nosso lugar, evangelizar os povos e morrer pelos seres humanos.
Durante o tempo em que Jesus esteve aqui na terra ele, embora fosse o Emanuel, o Deus encarnado, ele se comportou como um simples ser humano, mostrando a sua divindade apenas algumas vezes quando realizava os seus milagres e fazia os seus discursos.
Se nós formos olhar para a vida de Jesus, parece que tudo deu errado. Primeiro, ele nasceu numa estrebaria, num curral de gado. Era de se esperar que Jesus nascesse num palácio. Afinal, ele era o Filho de Deus, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Foi por isso que os magos do oriente, quando vieram adorar o Menino Jesus, o procuraram no palácio do rei Herodes em Jerusalém. Mas lá não havia ninguém. O rei Herodes nem sabia do seu nascimento, nem tampouco o povo de Jerusalém.
Depois, no seu ministério, ele foi rejeitado e desprezado. Ele não foi bem aceito pelos homens. Diz o apóstolo João: "Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam" (João 1.11).
Às vezes ele não tinha nem lugar para dormir, para descansar o corpo. Por isso, num certo lugar dos Evangelhos, ele reclama, dizendo: "As raposas têm os seus covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do homem não tem nem onde reclinar a sua cabeça" (Mateus 8.20).
E, finalmente, no fim de sua vida, ele foi humilhado, desprezado e colocado numa cruz, como um criminoso, como um marginal, como um bandido. Parecia que ele estava sozinho, que até o próprio Deus o havia abandonado. Por isso, como que desesperado, ele clama no alto da cruz: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mateus 27.46).
Mas Deus não o havia desamparado. Tudo o que estava acontecendo com ele estava nos planos de Deus: desde o seu humilde nascimento, até a sua morte na cruz. Isso tudo havia sido predito pelos profetas. Esse era o plano de Deus para salvar o mundo. O profeta Isaías, por exemplo, depois de descrever em minúcias o seu sofrimento e morte no capítulo 53 do seu livro, conclui dizendo: "Quando ele [Jesus] olhou para trás e viu o fruto do seu trabalho, ficou satisfeito".
Jesus, segundo o plano de Deus, veio na plenitude dos tempos. Ele nasceu na cidade de Belém, segundo o plano de Deus. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, tudo segundo o plano de Deus. E, segundo o plano de Deus, Jesus um dia voltará. Isso vai acontecer quando o Evangelho for pregado em todo mundo. Então virá o fim.
Ele não virá mais como um bebê indefeso, mas em glória e majestade. Virá para julgar os vivos e os mortos, quando "ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Filipenses 2.10,11).
Estamos esperando, portanto, a sua vinda em glória, para julgar os vivos e os mortos, para levar junto consigo os que nele crêem e se prepararam para a sua vinda.
O mundanismo hoje está tomando conta do mundo. Muitas pessoas, em vez de se preparar para celebrar o Natal de Jesus, estão se preocupando com as coisas externas, que nada tem a ver com o nascimento de Jesus. Enfeitam a casa, mas não adornam o seu coração. Compram presentes para os seus filhos, mas não reconhecem em Jesus um presente de Deus. Chamam um velhinho inexistente de Papai Noel, quando o nosso verdadeiro Pai é Deus.
O comércio tem se aproveitando desse dia para aumentar os seus lucros através de grandes vendas, fazendo com que muitas pessoas gastem mais do que podem. Depois elas ficam quase o ano todo pagando prestações.
Precisamos novamente recuperar o verdadeiro sentido do Natal. Precisamos de nos conscientizar o que é realmente importante no Natal e o que é secundário. Do contrário, podemos ser surpreendidos como o povo de Israel, que se esqueceu de tal modo do Messias Prometido que, em vez de recebê-lo como um rei, o receberam como um mendigo, deixando-o nascer numa estrebaria, num curral de gado.
Quando Cristo veio pela primeira vez, ele pôde ser desprezado e morto. Mas quando ele vier na segunda vez, em majestade e glória, quem o desprezar, será condenado ao fogo do inferno. E, para que isso não aconteça, Deus envia mensageiros, à semelhança de João Batista, a fim de que preparem o nosso coração mediante a pregação do evangelho, dizendo: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3.2).
É necessário que nos arrependamos dos nossos pecados para que entre o Rei da Glória, conforme o Salmo 24. Apenas quem tem o seu coração purificado mediante o sangue de Cristo derramado na cruz é que pode receber com dignidade o Rei Jesus vindo em glória.
O povo de Jerusalém, ao ver Jesus entrando na cidade, estendeu as suas vestes e ramos de árvores pelo caminho por onde ele passava, dizendo: "Hosana, ao filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!" (Mateus 21.9).
Na Santa Ceia, quando lembramos a morte de Jesus e nos preparamos para o seu retorno, nós cantamos: "É verdadeiramente digno, justo e do nosso dever, que em todos os tempos e em todos os lugares te demos graças, ó Senhor, santo Pai, onipotente, eterno Deus. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Portanto, com os anjos e arcanjos e com toda a companhia celeste louvamos e magnificamos o teu glorioso nome, exaltando-te sempre, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exércitos. Os céus e a terra estão cheios de sua glória. Hosana, hosana, hosana nas alturas! Bendito, bendito, bendito aquele que vem em nome do Senhor. Hosana, hosana, hosana nas alturas!" (Hinário Luterano, página 39).
O livro de Apocalipse é o que mais fala do retorno de Cristo. Por isso, o saudoso professor Dr. Johannes H. Rottmann intitulou o livro que escreveu sobre o Apocalipse de "Vem, Senhor Jesus". Pois no capítulo 5 de Apocalipse encontramos o conhecido Cântico do Cordeiro, onde toda criatura, no céu e na terra, exalta a Cristo dizendo: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor". E o apóstolo João conclui, dizendo: "Então ouvi toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Aquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, será o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 5.12,13).
Por isso, neste Natal, como em todos os dias da nossa vida, preparemos o nosso coração, orando como o poeta sacro: "Enche os nossos corações com o teu real poder. De pecados e tentações, vem, Jesus, nos defender. Pois nós somos tua grei. Glória, glória a ti, ó Rei!" (Hinário Luterano 124.1).
E então, um dia na eternidade, podemos cantar junto com o grande coro dos anjos: "Glória a Deus nas maiores alturas e paz (...) entre os homens, a quem ele quer bem".

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DIANTE DO TRIBUNAL DE DEUS

Certo homem tinha três amigos. Um dia ele foi chamado ao tribunal. Os seus negócios estavam tão embaraçados que uma condenação parecia inevitável. Nessas circunstâncias recorreu aos seus três amigos, rogando-lhes que o ajudassem.
O primeiro amigo disse: “Tudo o que posso fazer é dar a você um traje novo para comparecer diante do tribunal”. O segundo disse: “Irei com você até a porta do tribunal. É o que eu posso fazer por você”. E o terceiro amigo, de quem mais nada esperava, disse: “Eu entrarei com você no tribunal e falarei a seu favor”. Assim fez. Falou tão bem a favor do amigo, que este foi absolvido pelo tribunal.
Esta estória, dizia um velho oriental, será a história de sua vida no dia da sua morte.
Um amigo lhe dará o seu último trapo, a mortalha: é o dinheiro que vocês tanto amam. É o máximo que pode fazer. Outro amigo lhe acompanhará, é o mundo: os seus pais, seus amigos e conhecidos, que lhe acompanharão até o cemitério. É o máximo que podem fazer. O terceiro e fiel amigo, que não lhe abandonará, mas por você intercederá junto ao tribunal de Deus, é o Senhor Jesus.
Qual dos três amigos estará ao seu lado no dia em que você deixar este mundo, no dia em que você se encontrar com Deus em juízo?
É muito conhecida a história daquela senhora que cometeu um crime e não quis aceitar a ajuda de um advogado amigo, achando que podia se defender sozinha. Depois, no entanto, quando viu que ia ser condenada, resolveu procurar o advogado. Mas era tarde, pois este advogado havia sido nomeado como o juiz da cidade e ele teve que condená-la.
Jesus quer ser o seu advogado. Ele quer defendê-lo diante do tribunal de Deus. Diz o apóstolo João: “Filhinhos, não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é o perdão dos nossos pecados, não somente dos nossos, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2.1,2).
Por isso, confie em Jesus enquanto você está aqui neste mundo, antes que você esteja diante do tribunal divino. Então Jesus poderá não mais ser o seu advogado, mas o juiz, que lhe dará a sentença final.
Um dia todos nós estaremos diante do tribunal divino para prestar contas a Deus por tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. Por isso, a nossa maior preocupação, enquanto estivermos aqui neste mundo, deve ser a salvação de nossa alma, o preparo para o encontro que teremos com Deus. Diz o apóstolo Paulo em Filipenses 2.12: “Desenvolvei a vossa salvação com tremor e temor”. E Jesus, em Mateus 6.35, nos exorta para que busquemos em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça.
Porém, o que se observa é o contrário. A grande parte da humanidade pouco se preocupa com a sua salvação. Vivem como se não houvesse um dia de prestação de contas.
Uns nem crêem na existência de Deus. Outros até crêem, mas não acreditam que possa haver vida depois da morte. E, como não acreditam na vida eterna, eles fazem das palavras “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” o lema de sua vida.
Há aqueles que crêem tanto em Deus como na vida eterna. Mas estão tão ocupados com as coisas do mundo, com as riquezas e os prazeres da carne, que não conseguem tempo para se preocupar com a salvação de sua alma, para buscar as coisas de Deus. Eles se consolam com o pensamento de que ao homem cabe cuidar da sua vida terrena, pois do futuro Deus se encarrega, que na hora da morte Deus dará um jeito.
Para estes, e para o mundo em geral, é loucura alguém se preocupar com a sua salvação, de se preocupar com as coisas de Deus. Para eles os cristãos são uns tolos, de perder tantas coisas boas que o mundo oferece só por causa da sua salvação.
Eles não conseguem entender como alguém é capaz de ir à igreja todos os domingos, de tirar tempo para ler a Bíblia e renunciar os prazeres da carne por causa da salvação de sua alma.
Mas será tolice mesmo, conforme pensa o mundo, se preocupar com a salvação, com o nosso destino eterno? Será mesmo, como disse Jesus, tão importante assim buscar em primeiro lugar as coisas de Deus?
Conforme A Palavra de Deus, preocupar-se com a salvação e buscar em primeiro lugar o bem estar espiritual é muito mais importante do que podemos imaginar. Tolice é não se preocupar com isso. É tolice por que:
Primeiro: um dia todos nós temos que comparecer perante o tribunal de Deus para lhe prestar contas da nossa vida; segundo: Deus nos deu um prazo a fim de nos preparar para a vida eterna, e esse tempo um dia termina.
Diz Jesus no Evangelho de Lucas, capítulo 16: “Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens. Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isso que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela”.
Aqui nesta parábola Jesus fala de um empregado infiel, de um administrador que gastava os bens do seu dono de uma maneira irresponsável. O administrador agia como se tudo fosse dele, como se nunca tivesse que prestar contas a ninguém.
E assim ele foi levando a vida, gastando o que não era seu, sem se preocupar com o que poderia acontecer no futuro. Mas um dia ele foi descoberto e todos os seus erros vieram à tona: o seu patrão mandou chamá-lo à sua presença, pedindo que ele prestasse contas daquilo que estava fazendo. Disse-lhe o patrão: “Que é isso que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela”.
Nesta parábola Jesus descreve o procedimento da grande maioria dos homens, que vivem neste mundo sem Deus e praticam tudo o que é tipo de pecado, como se eles não tivessem que prestar contas a ninguém.
Eles não buscam o reino de Deus e nem se preocupam com a sua salvação. Acham que se preocupar com as coisas de Deus é pura perda de tempo. O melhor mesmo é aproveitar a vida, pensam eles.
Porém, pensar assim é uma grande loucura. É loucura porque há um Deus lá no céu, um Deus que tanto pode salvar como condenar. Lemos em Mateus 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele (Deus) que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.
Nós não temos apenas um corpo, temos também uma alma. O corpo, na hora da morte, vai para a sepultura, mas a alma continua a existir. Lemos em Eclesiastes 12.7: “O pó volta à terra, como o era; e o espírito volta a Deus, que o deu”.
E um dia, quando Cristo voltar, o corpo receberá de volta a alma que se desprendeu dele na hora da morte, e ele voltará a viver para sempre. Diz Jesus em João 5.28,29: “Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem feito o mal, para a ressurreição do juízo”. E no livro do profeta Daniel 12.2 nós lemos: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão: uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e horror eterno”.
O dia em que os mortos ressuscitarão é o dia do Juízo Final. Neste dia todos terão que comparecer diante de Deus para prestar contas a ele por tudo o que fizeram. Assim lemos em 2 Coríntios 5.10: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem e o mal que tiver feito por meio do corpo”. E o apóstolo Paulo, em Atos 17.31, acrescenta, dizendo: “Por isso Deus adverte aos homens em toda parte que se arrependam, porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou”.
Infeliz daquele que comparecer ao tribunal de Deus sem estar preparado, sem ter se preocupado com a sua salvação. Infeliz daquele que viveu em pecado, que não aceitou a Cristo como o seu Salvador.
Este comparecerá de mãos vazias perante o Senhor, nada possuindo, a não ser uma enorme dívida: a dívida do pecado. Como não tem consigo nada para pagar essa dívida, será lançado fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.
O administrador infiel foi trazido ao seu patrão e acusado por todos os males que praticou. Todos os seus erros foram revelados: os acusadores viram tudo o que ele fizera e contaram ao dono o que sabiam a respeito dele.
Também nós temos os nossos acusadores, aqueles que nos acusam diante de Deus quando erramos, quando cometemos algum pecado. São três os acusadores.
O primeiro acusador é o diabo. O diabo não apenas nos tenta, querendo nos levar ao pecado, mas ainda nos acusa diante de Deus quando pecamos. Em Apocalipse 12 ele é chamado de “o grande acusador, que nos acusa dia e noite diante de Deus”.
O diabo nos acusa diante de Deus cada vez que nós pecamos, dizendo para Deus que pertencemos a ele, pois estamos fazendo a vontade dele e não de Deus. E ele não deixa escapar nenhum pecado, dedura tudo para Deus.
O segundo acusador é Moisés. Diz Jesus em João 5.45: “Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança”.
Moisés simboliza a lei, visto que a lei nos foi dada através dele. E como é que a lei nos acusa? Simplesmente dizendo que estamos errados quando cometemos algum pecado. Cada vez que cometemos algum pecado a lei nos mostra o erro que cometemos, levando-nos às vezes ao desespero. Para isso servem os mandamentos: para mostrar os nossos pecados.
O terceiro acusador é a consciência. A nossa consciência, assim como a lei, nos acusa cada vez que cometemos algum pecado. Ela nos faz sentir tristeza e provoca até mesmo remorso em nós pelos nossos pecados. Ela não nos deixa em paz enquanto não nos arrependemos dos nossos pecados e buscamos o perdão de Deus.
Todos esses acusadores nos acusam de havermos desperdiçado os bens do nosso dono. Isto é: eles nos acusam de termos pecado contra Deus. E eles têm razão.
Deus, como aquele homem rico, nos confiou uma riqueza enorme, que são: os nossos bens, dons, talentos e oportunidades. E o maior deles é o dom da salvação, a graça de Deus que nos é oferecida na palavra e nos sacramentos. Ai daquele que desperdiçar esse dom, não valorizando o que Deus nos oferece através de Cristo.
Mas ainda é tempo de usarmos os nossos dons a serviço do Senhor, de buscarmos a Deus e de desenvolver a nossa salvação.
Aquele administrador infiel, do qual Cristo fala no nosso texto, depois de ser acusado, teve tempo para por em dia os seus negócios e sair da situação difícil em que se encontrava.
Quando ele soube que fora acusado perante o seu chefe, não perdeu tempo, mas logo procurou uma maneira de escapar do perigo e sair do aperto em que se encontrava. Ele disse consigo mesmo: “O que farei, pois que o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. Eu já sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas”.
Ele chamou em seguida aqueles que deviam ao seu chefe e lhes perdoou a metade da dívida. Assim essas pessoas se tornaram em seus amigos; e ele, ao ser despedido pelo patrão, tinha agora onde ficar: na casa dos amigos.
Jesus conta essa história para nos mostrar que, assim como os filhos do mundo são espertos, usando de toda a astúcia e expediente para escapar de alguma dificuldade, assim também os cristãos devem usar de toda a prudência para escapar da condenação eterna. Eles devem de aproveitar bem o tempo que têm para se preparar para a outra vida. Devem se arrepender dos seus pecados e confiar no perdão de Deus antes que seja tarde.
Como o patrão daquele administrador infiel, Deus também se dirige a nós, dizendo: “O que é que você está fazendo? Preste conta da sua vida!”
Cada vez que ouvimos a palavra de Deus, Deus nos convida a prestar contas daquilo que estamos fazendo. Através da sua palavra Deus nos lembra que somos pecadores e que haverá um dia de prestação de contas. Por isso é necessário que aproveitemos o tempo que nos resta nesta vida para nos arrependermos dos nossos pecados e buscar o perdão de Deus.
O administrador infiel, na hora do aperto, tinha a quem recorrer: os seus amigos. Os seus amigos o socorreram na hora do perigo, dando-lhe proteção.
Também nós temos a quem recorrer. Quando Deus exigir prestação de contas de nós, nós podemos recorrer a Jesus. Jesus pagou pelos nossos pecados. Ele é o nosso amigo.
Quando a nossa consciência, ou a lei, ou o próprio diabo nos acusar diante de Deus, Jesus se transforma em o nosso advogado e nos defende, dizendo que os nossos pecados já foram perdoados, que não há mais nada contra nós. Diz o apóstolo João: “Filhinhos, não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2.1,2).
Quando alguém entra em questão com alguma pessoa e leva o caso ao juiz, a pessoa acusada precisa de um advogado para se defender. E ajustar um advogado não é para qualquer um; é preciso muito dinheiro.
No entanto, para Jesus ser o nosso advogado não é preciso de dinheiro. Ele requer de nós apenas que reconheçamos os nossos pecados e confiemos que ele pode nos salvar. Diz ele na sua palavra: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).
Se Deus lhe chamasse hoje para lhe prestar contas da sua vida, você estaria preparado para enfrentar o tribunal divino? Você tem a Jesus como o seu Advogado, Salvador e Amigo?
Lembre-se: um dia você estará diante do tribunal de Deus. Cuidado para não comparecer diante de Deus de mãos vazias, sem fé e sem arrependimento. E o que é pior: sem o advogado Jesus.
Por isso, busquemos, enquanto é tempo, as coisas de Deus, preocupando-nos com o nosso destino eterno, desenvolvendo com temor e tremor a nossa salvação, para que, quando estivermos diante do tribunal divino, Deus possa nos dizer: “Vinde, benditos de meu Pai. Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil

DUAS VIDAS, DUAS ESCOLHAS E DOIS DESTINOS

Havia certa vez um rei muito alegre e carinhoso, que procurava governar seu país da melhor maneira possível. Tinha ele na sua coorte um bobo, a quem muito amava. Quando o rei ficava preocupado com os problemas do estado, o pequeno bobo sempre conseguia fazer com que ele risse e se alegrasse um pouco.
Um dia, porém, já cansado com as brincadeiras do bobinho, o rei teve uma idéia. Chamou o bobo para o seu quarto e lhe entregou um bastão de ouro, dizendo: ”Meu querido bobinho, quando você encontrar um bobo mais bobo que você, você deve dar-lhe de presente este bastão de ouro”.
E assim o pequeno bobo saiu pelo mundo afora, à procura de um bobo mais bobo do que ele. Ele andou, andou. Procurou por todos os lugares, e não encontrava. Até que foi chamado de volta para o palácio.
No palácio ele encontrou o rei gravemente enfermo, que o mandou chamar para se despedir dele, dizendo: “Meu querido bobinho, estou de partida para uma jornada muito longa, da qual nunca voltarei”. Ele se referia à sua morte. O pequeno bobo, muito sentido, lhe pergunta: “E vossa alteza está preparado para esta jornada?” “Não, não estou”, respondeu o rei. Então disse o bobinho, meio surpreso: “Nesse caso devo de lhe presentear este bastão de ouro, pois encontrei o bobo mais bobo do que eu!”.
Quantas pessoas, a semelhança desse rei, estão se divertindo por este mundo afora, sem se preocupar com o seu destino eterno, com o encontro que terão com Deus. Estão para, a qualquer momento, fazer uma viagem, de onde nunca voltarão, sem, no entanto, estar preparado. Diz Jesus numa parte dos Evangelhos: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma. E o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12.20).
Nós não sabemos o dia e nem a hora da nossa partida. Por isso devemos estar preparados sempre: preparados para nos encontrar com Deus na eternidade na hora da morte e do Juízo Final.
O Evangelho de Lucas, capítulo 16, traz um dos mais notáveis discursos de Jesus. Jesus fala de duas pessoas, de duas escolhas e de dois destinos. Ele fala de um homem rico e de um homem pobre, de como eles viveram diferentemente aqui na terra e onde cada um foi parar no final da viagem dessa vida.
A história desses dois homens é a história de cada um de nós. Cada um de nós está representado em um desses dois personagens: ou somos o rico que está indo para o inferno, ou somos o pobre que vai para o céu. Não há uma terceira alternativa. Diz Jesus: “Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente”.
O nome do rico não é mencionado. Ele é apenas chamado de rico. Era um homem da alta sociedade, que morava numa casa luxuosa, que possuía muito dinheiro, que se vestia bem e comia do melhor. Era alguém que fazia da sua vida uma festa.
Bem em frente de sua casa se encontrava um outro homem, cujo nome é Lázaro. Lázaro, com o corpo todo coberto de feridas, passava o dia inteiro junto à porta do rico, a espera de comida. Ele catava no lixo o que o rico jogava fora para se alimentar. Era a única coisa que ele podia fazer, já que a sua saúde não lhe permitia trabalhar.
Que boa oportunidade do rico mostrar a sua bondade, de que tinha um bom coração. Mas ele tinha um coração duro, não se importava com ninguém, a não ser consigo mesmo. Os seus cachorros eram mais caridosos do que ele, pois ao menos eles vinham lhe lamber as feridas, a fim de amenizar a sua dor. Mas o rico nem remédio lhe dava.
Porém um dia o mendigo morreu. A morte pôs fim ao seu sofrimento. Não nos é dito o que foi feito com o seu corpo. Provavelmente os empregados do rico deram um jeito nele, enterrando-o numa vala qualquer.
Mas não foi apenas o mendigo que morreu. O rico também teve que passar pela morte. A riqueza não é uma garantia contra a morte. O homem pode ser rico como for, pode ter todo o poder na mão e dispor dos melhores médicos, que ele morre assim mesmo. Não foi assim com Alexandre o Grande, Adolfo Hitler, John Kenedy, Tancredo Neves, Mario Covas, Airton Senna e João Paulo II?
Enquanto que Lázaro, numa vara de bambu, era levado para ser enterrado num buraco qualquer; o rico, com certeza, teve um grande funeral.
Num caixão de primeira, com um belo terno, rodeado de altas personalidades da época; e, ao som de uma marcha fúnebre, desceu à sepultura. E, como sempre, todo mundo lamentando a sua morte, dizendo: “Ele era um homem muito bom. Ele não devia ter morrido. Vamos sentir muito a falta dele”.
Mas a história dos dois não termina aí. Ela continua, pois a vida não termina com a morte. Depois da morte vem a eternidade. Diz Jesus: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e mande a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”.
Assim como na vida os dois tiveram sorte diferentes, assim também na eternidade os seus destinos foram diferentes. Enquanto que Lázaro, que não tinha nada na vida, foi para o céu; o rico, que tinha tudo, foi para o inferno. Por que isso? Será que é pecado ser rico, que o lugar de rico é no inferno?
Não. Não é pecado ser rico. Os ricos também podem ir para o céu. A Bíblia cita vários exemplos de pessoas que foram muito ricos e que, no entanto, foram para o céu, como: Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Salomão, Jó e muitos outros.
A riqueza, no entanto, pode representar um grande perigo para o ser humano. Tanto assim que a Bíblia em vários lugares nos exorta para cuidar-nos com a riqueza. Diz Jesus em Lucas 12.15: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. Pois o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
E o apóstolo Paulo, em 1 Timóteo 6.9,10, acrescenta dizendo: “Os que querem ficar ricos caem em tentações e ciladas, e em muitas concupiscências perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.
Esse foi o problema do homem rico da história que Jesus contou. Ele apenas se preocupou com a riqueza quando estava vivo e se esqueceu da sua alma. Não tinha tempo para Deus, pois os negócios terrenos tiravam todo o tempo dele.
Mesmo que tivesse tempo, ele não se preocupava com ele. Tinha tudo o que precisava para a vida, porque se preocupar com a eternidade, pensava ele.
Em resumo, podemos dizer que o rico não era cristão, não tinha fé no seu coração. Pois se tivesse fé, teria socorrido a Lázaro, dando-lhe comida, remédio e roupa. A fé sempre vem acompanhada de obras, dentre as quais se destacam o amor e a hospitalidade.
Jesus, no dia do Juízo Final, ao julgar o mundo, vai usar as obras como provas da fé. Neste dia, todos aqueles que procederam como o rico, vão ter que ouvir da sua parte: “Apartai-vos de mim, malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer. Tive sede e não me destes de beber. Sendo forasteiro, não me hospedaste. Estando nu, não me vestiste. Achando-me enfermo e não fostes ver-me” (Mateus 25.41-43).
E Lázaro, por que ele foi salvo? Por que ele era pobre? Não. A pobreza não salva ninguém. Muitos pobres já foram para o inferno porque, como o rico, não tiveram fé.
Lázaro foi salvo e está no céu porque tinha fé, porque ele era uma pessoa cristã. O seu próprio nome diz isso, pois Lázaro significa “o Senhor é a minha salvação”.
Como cristão Lázaro carregou com paciência a sua cruz. Não murmurou, até ser levado pelos anjos para o seio de Abraão, onde se encontra até hoje.
A história do rico e Lázaro nos ensina três coisas muito importantes.
Primeiro: o destino de uma pessoa se traça aqui na terra, depois da morte é tarde.
Conforme Jesus, no momento em que Lázaro morreu, ele foi para o céu e o rico para o inferno. Depois, quando o rico pediu a Abraão que lhe mandasse um pouco de água, este lhe respondeu dizendo que isso não era possível, pois um grande abismo os separava, de sorte que os que estavam no céu não podiam ir para o inferno, nem os que estavam no inferno ir para o céu. E isto está de acordo com Hebreus 9.27, que diz: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo”.
Se de fato é assim, como realmente é, preparemo-nos enquanto estamos no mundo para a outra vida, a fim de não irmos também para o inferno.
Em segundo lugar: o inferno existe, e é um lugar horrível. Devemos fazer de tudo para evitá-lo.
A Bíblia fala muito em inferno. E, sempre quando fala dele, ela usa uma linguagem terrível, como: o fogo que nunca se apaga, lugar de trevas e ranger de dentes, tormento eterno e assim por diante.
Na história que Jesus contou, o rico sofria tanto que ele se contentava com uma gota de água, pois estava atormentado em chamas.
Muitas pessoas negam a existência do inferno, afirmando não existir tal lugar. Elas fazem Jesus de mentiroso, pois ele ensinou claramente que o inferno existe. Em vez de negar a existência do inferno, essas pessoas deviam prevenir aos outros para não irem para esse lugar.
Negar a existência do inferno não resolve o problema. É preciso ensinar a verdade sobre o assunto, mesmo que não gostemos desse lugar.
Em terceiro lugar: o que leva muitas pessoas para o inferno é o desprezo para com as coisas de Deus e a excessiva preocupação com a riqueza. Devemos de nos cuidar para não cair nesse erro.
O homem rico foi para o inferno porque desprezou a palavra de Deus, só se preocupando com os bens materiais. Que esse foi o seu problema, vemos na história que Jesus contou.
Quando o rico pediu que Abraão mandasse alguém dentre os mortos para avisar aos seus irmãos para que não viessem também para o inferno, este lhe respondeu: “Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos”. Isto é: eles têm a Bíblia, por que não escutam o que ela diz?
Muita gente não consegue tempo para Deus por causa dos prazeres da vida. Querem aproveitar tudo o que o mundo lhes oferece, e acabam perdendo a sua alma.
É preciso que cuidemos. Temos um corpo, mas temos também uma alma. Se não cuidarmos da nossa alma, alimentando-a espiritualmente, vamos acabar indo, como aquele rico, de corpo e alma para o inferno.
Por isso, cuidemo-nos um pouco mais, pois o inferno não é brincadeira. Muitas já foram para lá, e outros tantos estão a caminho dele. Não deixemos que os bens materiais e os prazeres da vida nos atrapalhem espiritualmente. Coloquemos as coisas no divido lugar: em primeiro lugar a nossa alma, depois as coisas da vida.
Se assim o fizermos, preparando-nos espiritualmente, em lugar de inferno, teremos o céu. E, às portas da eternidade, Jesus nos dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Evangélica Luterana do Brasil